Page 26 - Revista da Armada
P. 26
Foto SCH L Almeida Carvalho Abriu a sua actuação com Lusitana Paixão, de Jorge Quintela e
José da Ponte, seguindo, em crescendo, com Meu Amor em Aran-
Bettencourt. Não é a primeira vez que a banda trabalha com este juez, música de Joaquím Rodrigo, e O Mar e Tu, de Enzo Gragna-
compositor açoriano, e esta obra foi elaborada para a gala da en- niello. Esta última canção, aqui interpretada com o Sargento-Aju-
trega dos prémios Excellens Mare, a 9 de Maio último, no concer- dante Nuno Riso, ficou célebre na versão que Dulce Pontes can-
to realizado pela Banda da Armada no Casino da Figueira da Foz. tou com Andrea Boccelli, gravada num disco que valeu ao tenor
italiano a nomeação para um prémio Grammy Award. E o público
A segunda parte abriu com a obra Symphonic Fortress, de James pôde ainda apreciar Os Amantes, com música de Mikos Theodo-
Hosay, inspirada pela visão de Fort Monroe, fortaleza que vigia a rakis, Índios da Meia Praia, de José Afonso, e a Canção do Mar,
margem norte da baía de Chesapeake, em frente à Base Naval de de Frederico de Brito e Ferrer Trindade. A Canção do Mar foi con-
Norfolk (USA). Mas a melhor parte de todo o concerto estava reser- cebida para a voz de Amália Rodrigues, mas a versão de Dulce
vada para a participação de Dulce Pontes que actuou até ao final. Pontes é, provavelmente, a que mais correu o mundo e deve ser,
Eu conheço bem e admiro a voz de Dulce Pontes, mas nunca tinha hoje, a música portuguesa mais conhecida nos cinco continentes.
assistido a nenhum espectáculo seu. E devo confessar que me pa-
rece ter perdido qualquer coisa de precioso da música portuguesa. Mas o concerto não poderia fechar sem um número extra
(Encore) com um especial significado para todos nós: o Amor
Aqui há muitos anos atrás, alguns familiares meus, mais ve- a Portugal, de Ennio Morricone, que Dulce Pontes já tinha
lhos, pertencentes à geração do meu pai, falavam-me de uma ac- interpretado várias vezes com a Banda da Armada, mas que
tuação de Edith Piaf, no Olympia (Paris), descrevendo-me emoti- não deixa de nos empolgar a todos. Restou-nos depois desta
vamente a forma como aquela mulher pequena e tímida, entrou actuação acompanhá-la e a toda a Banda, cantando a Marcha
em palco e encheu rapidamente todo o espaço com a sua voz e dos Marinheiros marcada pelo compasso das palmas de todo
o seu talento. Eu ouvia-os com atenção e, durante muito tempo, o público presente. O concerto do Dia da Marinha 2015 fica-
tentava imaginar essa sensação provocada por uma grande artis- rá, certamente, na nossa memória, como um dos melhores de
ta, cuja capacidade de presença em cena vai muito para além da sempre neste nosso dia de festa.
própria voz. Foi esta descrição emotiva, que ouvi contar desde
muito novo, que me veio à ideia quando Dulce Pontes começou a J. Semedo de Matos
sua actuação com a Banda da Armada, na grande sala do S. Jorge. CFR FZ
A beleza da sua voz é conhecida em todo o mundo, mas a presen-
ça em palco e a forma como enche toda a sala com a personalida- N.R. O autor não adota o novo acordo ortográfico
de de grande artista só pode apreciar-se nos concertos. Não ad-
mira o sucesso que sempre obteve nas mais distintas salas de es- Foto SAJ FZ Horta Pereira
pectáculo de todo o planeta, desde os Estados Unidos ao Japão.
Foto SAJ FZ Horta Pereira
26 JUNHO 2015

