Page 27 - Revista da Armada
P. 27
VIGIA DA HISTÓRIA REVISTA DA ARMADA | 498
75
FRAGATA S. ANTÓNIO
O navio que serve de tema ao que taram a fundear em Cascais, informan-
hoje se relata não se encontra arrolado, do não se saber qual o destino que teria
pelos comandantes Marques Esparteiro tido a S. António pois, durante a noite,
e Quirino da Fonseca, nos trabalhos que o farol ter-se-ia apagado impedindo
realizaram sobre os navios portugueses, assim os outros navios, que a seguiam,
respectivamente “Três Séculos no Mar“ de continuar em sua companhia, nunca
e “Os Portugueses no Mar“. mais a tendo avistado.
Embora o primeiro daqueles autores A incógnita quanto ao que sucede-
se refira à construção, em 1664, de uma ra à S. António só foi desfeita quando,
fragata, em Lisboa, já baptizada com o cerca de 20 dias depois, se soube em
nome de S. António, o que é um facto Lisboa que o Tenente do navio, cargo
é que não mais, na obra em causa, sur- equivalente hoje em dia ao de Imedi-
ge qualquer outra referência ao citado ato, de nacionalidade francesa, junta-
navio. mente com outros franceses e demais
estrangeiros da guarnição, se haviam
Os elementos que seguidamente se amotinado e neutralizado os restantes
indicam têm, por isso, como objectivo tripulantes portugueses, tendo morto
acrescentar mais alguma informação ao alguns e prendido os outros. Na posse
conhecimento existente sobre os navios do navio os insurgentes rumaram para
que integraram a Marinha portuguesa e Cadiz, onde fizeram a entrega da fraga-
que aqueles autores trataram. ta às autoridades espanholas, que as-
sim nem sequer chegou a ter estado ao
Como já referido, a construção da fra- serviço de Portugal uma escassa meia
gata S. António teve início, em Lisboa, no dúzia de meses.
ano de 1664, sendo o seu lançamento à
água efectuado no dia 13 de Junho de Não foi conhecido qual o destino pos-
1665. O navio, que estava armado com terior da fragata mas, a suceder o mes-
54 peças de artilharia, já em Setem- mo que em circunstâncias semelhantes
bro desse mesmo ano navegava, pro- ocorria em Portugal, não causaria es-
vavelmente já sob o comando de Nico- panto que, sob novo nome, passasse
lau Duplessis (ou Du Plessis como tam- a integrar a Armada espanhola, talvez
bém igualmente surge referenciado), até, como cá sucedia igualmente, alcu-
um oficial oriundo de Malta ao serviço nhada, neste caso, de “A Portuguesa“.
da armada portuguesa, transportando
munições de guerra para a província O seu comandante, Nicolau Duples-
do Minho e dando escolta a navios de sis, que até aí tinha tido uma carreira de
comércio com destino ao Norte do país. sucessos ao serviço da Marinha portu-
guesa, parece ter então caído em des-
No início de Novembro, ainda des- graça.
se ano de 1665, a S. António integrava
uma esquadra de guarda costa, consti- Com. E. Gomes
tuída por 4 navios, cujos nomes não se
encontraram registados, esquadra essa N.R. O autor não adota o novo acordo ortográfico.
que terá fundeado na baía de Cascais a
procurar abrigo. Fontes
Fonte: Mercúrio Português – Novembro de 1665.
Entretanto, o agravamento repentino
do tempo obrigou os navios a suspen-
der e, para garantir a respectiva segu-
rança, a correr com o tempo, Nicolau
Duplessis, que entretanto havia saído
em terra, não terá tido oportunidade,
nem condições, para voltar para bordo
do seu navio, ficando em terra.
Passados que foram três dias, três dos
navios da esquadra reapareceram e vol-
JULHO 2015 27

