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REVISTA DA ARMADA | 542
SAÚDE PARA TODOS 66
VERÃO
PARTE I
A maioria das pessoas anseia pela chegada do verão. Os dias são mais longos e a meteorologia propicia a caminhadas, piqueniques,
idas à praia ou piscina, refeições em esplanadas ou mesmo belos convívios em torno de um grelhador e de uma mesa bem composta.
Nesta edição de julho, e na próxima edição (agosto), quero apenas recordar alguns conselhos práƟ cos que tenho vindo a escrever em
arƟ gos de edições anteriores, de modo a que todos os leitores possam maximizar os beneİ cios que esta estação proporciona, porém
minimizando os riscos que podem também surgir nesta época.
SOL TRANSPIRAÇÃO
A exposição do corpo humano à radiação solar, desde que A transpiração, também conhecida por suor, é um processo
regrada, tem muitos efeitos benéfi cos, sendo fundamental para natural do nosso corpo que permite a regulação térmica, nomea-
a saúde İ sica e mental. O sol além de ser um anƟ depressivo damente através da perda de calor por evaporação a parƟ r das
natural, promove a síntese de vitamina D (favorece a fi xação de glândulas sudoríparas aquando do exercício e/ou exposição ao
cálcio nos ossos e dentes), aƟ va a circulação sanguínea, esƟ mula calor. A transpiração aparece principalmente na cabeça e nas axilas
o sistema endócrino, favorece a aƟ vidade intelec- e é inodora, contudo a sua composição atrai bactérias que
tual e aumenta a quanƟ dade de glóbulos estão na pele e são responsáveis pela formação de
brancos no sangue, que são os protago- odores corporais desagradáveis. Para minimi-
nistas do nosso mecanismo de defesa zar o desconforto o ideal é manter uma boa
contra agentes infeciosos. Contudo, higiene corporal (banho diário e remoção
os riscos associados à exposição dos pelos axilares) e uƟ lizar um deso-
solar inadequada podem resultar, dorizante ou anƟ transpirante.
entre outros, em escaldão, insola-
ção, desidratação, lesões e envelhe-
cimento precoce da pele. No verão FUNGOS
estes riscos são maiores pois nesta O calor do verão, bem como as rou-
época os raios solares apresentam-se pas húmidas, também benefi ciam a
mais intensos (incidem sobre a superİ cie DR proliferação de fungos levando ao apare-
da Terra de forma mais perpendicular). Os raios cimento ou agravamento de micoses. A mais
que provocam danos na pele são os ultravioleta (UV): conhecida é a Ɵ nea pedis, vulgarmente conhecida
os UV-A provocam principalmente envelhecimento da pele e como pé de atleta. É uma doença contagiosa caracterizada por
os UV-B induzem queimaduras. A camada de ozono apenas fi l- lesões vermelhas, descamaƟ vas e com muita comichão (prurido)
tra 95% dos raios UV pelo que, no verão, devem ser adotadas entre os dedos ou região plantar, por vezes acompanhadas de
medidas protetoras diariamente, mesmo durante as aƟ vidades fi ssuras ou bolhas. Pode ser evitada com uma boa higiene do
normais do quoƟ diano ou se o céu se apresentar nublado. As pé, isto é, não andar descalço em locais públicos, manter os
medidas mais importantes são: evitar a exposição solar entre as pés secos (secar bem entre os dedos dos pés após os banhos,
11 e as 16h, usar óculos/ chapéus/ roupas protetoras (em algo- usar meias apenas de algodão e evitar calçado fechado), lavar
dão), aplicar protetor solar na pele exposta (reaplicar de 2/2h) e o calçado regularmente e não parƟ lhar toalhas/meias/calçado.
ingerir muitos líquidos. O tratamento faz-se com anƟ fúngicos sob a forma de pomadas,
cremes, loções, sprays, pós ou comprimidos.
QUEIMADURAS
INSETOS
Além das queimaduras solares também são frequentes nesta
estação as queimaduras pelo fogo. Se isso acontecer, o primeiro É também no verão, com o calor, que existem insetos por toda
procedimento é transportar a víƟ ma para um local seguro e a parte. Abelhas, melgas, mosquitos, vespas, formigas, pulgas,
arrefecer a pele afetada passando a zona queimada por água a entre outros. Atacam de surpresa provocando uma mancha aver-
cerca de 15° C, durante 15 min, de forma a evitar um aumento melhada, prurido e dor no local da picada, que normalmente
da temperatura local, com possível agravamento da lesão. A área desaparece espontaneamente em alguns dias. Pode haver neces-
da pele lesada deve ser apenas lavada com soro fi siológico (os sidade de tomar anƟ -histamínicos ou analgésicos. A prevenção
desinfetantes agravam a lesão) e protegida com penso estéril. faz-se com repelentes e roupas claras que cubram toda a pele,
Se surgirem fl ictenas (bolhas), estas não devem ser puncionadas bem como com inseƟ cidas ou redes mosquiteiras.
sob o risco de infeção. Muitas pessoas passam manteiga, cremes
gordos ou outras substâncias oleosas sobre a queimadura, mas Ana CrisƟ na Pratas
este é um gesto errado, que deve ser abandonado, pois apenas 1TEN MN
contribui para aprofundar a queimadura, exatamente o contrário www.facebook.com/parƟ cipanosaudeparatodos
do que se pretende. (conƟ nua na próxima edição)
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