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REVISTA DA ARMADA | 483

A MARINHA PORTUGUESA EM

OPERAÇÕES ANTIPIRATARIA

O primeiro contacto dos destacamentos de helicópteros com o fenómeno da pirataria na costa da Somália foi
no verão de 2007, aquando da integração do NRP Álvares Cabral na força Naval da NATO SNMG1. Nesse ano, esta
força efetuou uma circum-navegação pela costa Africana, tendo a Álvares Cabral, e o seu helicóptero orgânico,
denominado “Sonic1”, participado nos primeiros esforços internacionais de vigilância nas águas da Costa da Somália.

Foi já em 2009, período em que Portugal assumiu o Comando          de maio de 2009. Após o 1º alarme em IMM canal 16 por parte
   da SNMG1, durante a Operação Allied Protector, embarcado        do M/V Kition, registado nas Bahamas, reportando uma skiff 2
no navio chefe NRP Corte Real, que um destacamento de helicóp-     que se aproximava com um grupo de pessoas armadas a bordo,
teros esteve empenhado de uma forma mais ativa no combate à        o “Daxter”, indicativo de chamada do helicóptero embarcado,
pirataria. Para esta missão foi de primordial importância a atua-  prosseguiu para o local com a tarefa de interromper o ataque em
lização da aeronave com a instalação da metralhadora M3M e a       curso e evitar a tomada de assalto do navio mercante pelos sus-
preparação da tripulação para empregar esta arma. Tal foi conse-   peitos piratas. Após um trânsito de aproximadamente 10 minu-
guido num curto espaço de tempo, recorrendo a um programa          tos, já com munições passadas e a arma pronta, avistou o navio
de formação teórico e prático, que contou com a colaboração de     mercante a tentar evadir-se de uma embarcação que se aproxi-
instrutores da Marinha Alemã e com uma equipa técnica da EH.       mava a alta velocidade. Nesse instante a embarcação interrom-
Esta equipa supervisionou todo o processo e conduziu os primei-    peu o ataque, alterando o seu rumo, e afastou-se do navio alvo
ros voos de certificação com a nova arma, realizados a bordo da    dirigindo-se para o que mais tarde foi identificado como sendo
Corte Real já em trânsito para a área de Operações. Como resul-    o seu navio mãe. O “Daxter” continuou a perseguir a embarca-
tado final, à chegada ao Golfo de Áden, a 26 de março de 2009, a   ção suspeita acabando por confirmar que tinha armas a bordo, e
Corte Real podia contar com uma nova capacidade: um helicóp-       manteve a vigilância durante o transbordo que os suspeitos pira-
tero orgânico armado com uma metralhadora M3M, cujo ritmo          tas efetuaram para o seu navio mãe. À chegada da Corte Real à
de fogo, calibre e alcance lhe conferia uma capacidade de dissua-  cena de ação, procedeu-se à abordagem do navio mãe a fim de
são e poder de fogo assinalável. Tratava-se de uma capacidade      apreender material ligado à pirataria e identificar os suspeitos
fundamental para o Lynx Mk95 poder ser empregue eficazmente        piratas. Mais uma vez “Daxter” foi empregue a fim de dar apoio
no combate à pirataria.                                            na vigilância e proteção à equipa de abordagem. Como resultado
                                                                   deste evento, foi interrompido um ataque pirata, foi apreendido
   A primeira prova de fogo numa ação antipirataria ocorreu a 1

4 MARÇO 2014
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