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REVISTA DA ARMADA | 498
NTM CREOULA
CONDECORADO
Decorreu no dia 19 de maio a cerimónia as gerações de homens que, ao serviço de Portugal.
de imposição do Grande-Colar da or- dos anos 30 aos anos 70, Passados 78 anos de vida nos mares e
dem do Infante D. Henrique ao NTM Cre- enfrentaram os perigos e
oula. Esta condecoração, atribuída pelo dureza dos mares gelados de uma inegável, incontornável e umbili-
Presidente da República, foi imposta pelo da Terra Nova e Gronelân- cal ligação deste lugre de quatro mastros
ALM CEMA/AMN. A insígnia foi entregue dia, durante os 37 anos de ao passado marítimo dos portugueses,
em mão, ao atual comandante do navio, campanhas da pesca do ba- foi, pois, com legítimo orgulho que a guar-
CFR Cruz Martins, numa cerimónia reali- calhau feitas pelo navio, as- nição do Creoula viu ser atribuída a este
zada a bordo, perante toda a guarnição e sim como as várias guarni- navio tão honrosa condecoração, em re-
com a presença de vários convidados, mi- ções militares que serviram conhecimento pelos relevantes serviços
litares e civis. a bordo do Creoula. prestados na expansão da cultura, da his-
tória e dos valores de Portugal.
O Grande-Colar da Ordem do Infante D. Operado pela Marinha
Henrique é o mais alto grau desta ordem, desde 1987, o Creoula encetou uma nova O Creoula é, pois, um legítimo elo de
que foi criada em 1960, para comemorar e singular etapa, desempenhando uma ligação entre várias gerações ligadas ao
o 5º centenário da morte do Infante, per- missão única no país. Com uma guarni- mar, numa singradura ímpar, recheada de
sonalidade fortemente ligada ao passado ção militar, o Creoula cumpre agora as sacrifícios e plena de sucessos. Que este
marítimo dos portugueses, e em homena- funções de Navio de Treino de Mar junto navio, que vem servindo tão nobres mis-
gem a uma vida dedicada ao estudo das da sociedade civil, servindo de plataforma sões, saiba manter rumos safos e continu-
ciências náuticas. Impulsionador das na- física itinerante para a formação náutica ar a cultivar o gosto pelo mar, a discipli-
vegações de longo curso, criou as condi- das camadas jovens e para a transmis- na, a solidariedade e o respeito pela nossa
ções que permitiram a epopeia dos desco- são dos conhecimentos práticos da vida maritimidade.
brimentos, marcando de forma indelével no mar, contribuindo, desta forma, para o
o conhecimento sobre o mundo, que se enaltecimento da nossa história e para a Colaboração do NTM CREOULA
tornou a partir daí cada vez mais global. afirmação da nossa cultura e tradição ma-
rítimas.
Durante a cerimónia, o ALM CEMA/
/AMN usou da palavra, lembrando as vá- O Creoula tem uma história ímpar e a
rias gerações de pescadores, de militares considerável idade de 78 anos, tendo sido
e de jovens que embarcaram no Creou- construído em Portugal no longínquo ano
la. No contexto da atual missão do navio, de 1937. Pensado com o propósito de ser-
foram mais de dezassete mil jovens civis vir nas campanhas da pesca da faina mai-
embarcados em missões de treino de mar. or, ficou pronto a ser lançado ao mar em
Relevou igualmente os milhares de milhas apenas 62 dias úteis e, a bandeira portu-
já percorridas pelo navio, que equivalem a guesa que viu hastear pela primeira vez,
mais de vinte voltas ao mundo, bem como manteve-a até aos dias de hoje, sempre
20 JULHO 2015

