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REVISTA DA ARMADA | 498
Fase CET/FIT (Combat Enhancement Training/Force Integrati- O DESENROLAR DAS OPERAÇÕES
on and Training) e (2) a Fase TACEX (Tactical Exercise).
Passada a fase inicial do CET/FIT, o desenrolar das operações
Na primeira fase, com duração de cerca de 5 dias, o objetivo no dia-a-dia revelou a verdadeira complexidade do cenário tá-
principal é garantir a interoperabilidade entre as forças e uni- tico. Não apenas pelo elevado número de meios envolvidos e a
dades, ajustando os procedimentos táticos e de fluxo de infor- coordenação a diferentes níveis, mas pelo cuidado tido na cons-
mação ao cenário e organização operacional. Esta fase obede- trução do cenário e na forma como ele foi programado para
ce ao cumprimento de um programa seriado, abrangendo sé- evoluir em termos de informações e na escalada do uso da for-
ries de diferentes áreas do espectro do conflito armado, desde ça. O ambiente de ameaça cibernética foi também jogado na
a ameaça convencional à ameaça assimétrica. fase tática.
Na segunda fase do exercício, a inexistência de um seriado Em todo o espectro do conflito, desde o combate convencio-
faz com que a incerteza domine todo o processo de decisão, nal ao assimétrico, o dinamismo do cenário foi uma das linhas
forçando todos os participantes a interagir com, e através do motivadoras de todo o empenhamento operacional das forças
cenário, de uma forma bastante dinâmica, numa simulação ao longo da fase TACEX.
muito próxima das exigências de uma situação real, nas quais
se inclui a sustentação logística (reabastecimento em ambien- A título de exemplo, com uma média diária de cerca de 100
te tático e entrega de sobressalentes) e onde inclusive é intro- saídas de aeronaves com missão atribuída, a batalha pelo es-
duzida a presença da comunicação social, influenciando a per- paço aéreo foi constante. O empenhamento de aeronaves em
ceção da sociedade e obrigando a uma constante tomada de patrulha aérea de interceção permitiu diversas vezes manter
decisões e posições por parte de todos os atores participantes as ameaças aéreas opositoras afastadas da força. Em simultâ-
no teatro de operações. neo, os navios depararam algumas vezes com situações inopi-
nadas de aeronaves não-militares que sobrevoavam a força, o
Contextualizando a estrutura orgânica das forças presentes que permitiu o treino de ameaça aérea assimétrica (Low Slow
na área de operações, o exercício JOINT WARRIOR contou com Flyer – LSF).
o empenhamento de duas grandes estruturas operacionais
conjuntas: (1) A Combined Joint Task Force (CJTF) 315, simu- Ainda na vertente convencional, a defesa antissubmarina du-
lando a força da NATO enviada para a região e a CJTF 606, si- rante o exercício provou ter sido também uma boa oportuni-
mulando a força da aliança militar regional congénere, deno- dade de treino para a guarnição, quer pelas particularidades e
minada Skalvian Treaty Organisation (STO). considerações táticas de operar num ambiente de shallow wa-
ters em águas confinadas, como é o caso do Mar de Hébrides,
A CJTF 315 dividiu-se em 7 grupos-tarefa, ou task groups, quer pelo número e tipo de meios navais envolvidos2.
nomeadamente, um grupo anfíbio, dois de escoltas e reabas-
tecedores (um sob comando holandês e outro sob o comando Não menos importante, a ênfase dada às ameaças assimé-
dinamarquês), um de submarinos, um de aeronaves de patru- tricas representadas em ataques concertados por parte de de-
lha marítima, uma força de desembarque e um grupo de con- zenas de embarcações de alta-velocidade, numa tentativa de
tra-medidas de minas. O NRP Álvares Cabral integrou o exercí- levar ao limite a saturação da defesa dos navios. Sem dúvida,
cio sob o comando do comodoro dinamarquês Aage Buur Jen- uma das melhores oportunidades de treino de Proteção de
sen. Força.
18 JULHO 2015

