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REVISTA DA ARMADA | 498
NRP ÁLVARES CABRAL
JOINT WARRIOR 151
AMarinha Portuguesa, através da participação do NRP Álvares A crescente instabilidade e insegurança, agravadas pelo au-
Cabral, marcou presença num dos maiores exercícios conjun- mento de atos ilícitos de pirataria e contrabando no mar, enfra-
tos e combinados da NATO em território europeu, o JOINT WAR- quecem as linhas de comércio na região gerando uma situação
RIOR 151. Este exercício decorreu numa vasta área terrestre e de crise que, face às ligações políticas e militares de alguns ato-
marítima, abrangendo parcelas de território no País de Gales, In- res, possuem o potencial para deflagrar num conflito regional de
glaterra e Escócia. A última presença nacional neste cenário re- grande intensidade.
monta a 2008 com a presença da fragata Vasco da Gama inte-
grada na SNMG1. No exercício participaram 15 países (13 países Face a esta situação de potencial escalada, são aprovadas três
NATO e duas nações amigas convidadas, Suécia e Finlândia), com resoluções no concerto do Conselho de Segurança das Nações
forças dispostas nas três componentes, naval, aérea e terrestre, Unidas e decidido o envio de uma força-tarefa multinacional da
num total de aproximadamente 14.000 militares. Em termos da NATO com vista a devolver a paz e estabilidade na região.
escala de meios empregues, participaram 54 navios (em alguns
casos, com as respetivas aeronaves orgânicas), 5 submarinos, 76 A ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DO EXERCÍCIO
aeronaves a operar a partir de terra, e forças terrestres ao nível
do escalão brigada, cobrindo uma área de operações de 240 000 Tendo por mote este cenário, o processo de planeamento é ini-
km2. ciado muito antes do começo oficial do exercício. O objetivo desta
Exercício JOINT WARRIOR é organizado semestralmente pelas fase de planeamento é o conhecimento do normativo e publica-
forças armadas do Reino Unido, mais precisamente pelo Joint ções em vigor, bem como a troca de diversas informações operaci-
Foto Florent LE BIHAN
Tactical Exercise Planning Staff (JTEPS), com o objetivo de pro- onais com vista a confirmar os objetivos e requisitos de treino par-
videnciar às forças que nele participam (nacionais e convidadas) ticulares de cada um dos estados-maiores e unidades participantes.
um ambiente complexo, multiameaça, típico de um empenha-
mento operacional ao nível da força-tarefa conjunta e combinada Uma vez concluída a fase de planeamento, as unidades parti-
(Combined Joint Task Force). O cenário base, que tem vindo a ser cipantes efetuam oportunamente o trânsito para a área de ope-
aperfeiçoado ano após ano, utiliza a particular geografia britâni- rações. À chegada, participam num Briefing and Orders Day or-
ca para retratar, de uma forma bastante completa, a envolvente ganizado pelo JTEPS, com vista a rever o plano do exercício, acer-
geopolítica de um arquipélago fictício chamado Wallian. Outro- tar detalhes de execução e definir procedimentos especiais e de
ra uma nação unida historicamente, viria a ficar dividida após os segurança a ter em conta durante a condução das operações.
movimentos independentistas da década de 60, com o surgimen- O Briefing and Orders Day decorreu durante a sua estadia no por-
to de diversos países e, simultaneamente, o início de disputas to de Glasgow, mais concretamente na base naval HMNB Clyde1
territoriais, originando tensões e desequilíbrios na balança regi- em Faslane.
onal de poderes.
A execução operacional do exercício propriamente dita que se
segue é então desdobrada em duas grandes fases distintas: (1) A
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