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REVISTA DA ARMADA | 498
Foto 1SAR ETI Luís Gomes
No sentido de garantir a paz e estabilidade na região, grande NOTAS FINAIS SOBRE A PARTICIPAÇÃO
parte do tempo seria passado em patrulha ativa em áreas atribuí- DO NRP ÁLVARES CABRAL
das, na condução de operações de interdição e segurança marí-
tima, na repressão a atos de pirataria, agressão armada no mar Exceção feita aos típicos nevoeiros escoceses, durante todo o
e de tráfico de armas, tendo sido levadas a cabo algumas ações exercício gozou-se de condições excelentes para a condução das
de vistoria cooperativas (boarding), permitindo treinar a equipa operações navais, o que permitiu aproveitar ao máximo a partici-
de vistoria e, em particular, as equipas de fuzileiros embarcados, pação neste importante exercício. O envolvimento em exercícios
naquele tipo de procedimentos. internacionais como o JOINT WARRIOR, enquadrado no espec-
tro de missões atribuídas à Marinha Portuguesa, reveste-se de
De realçar também o momento em que, fruto da evolução do uma justificada relevância se considerarmos não só a qualidade
cenário, surgiu a necessidade de neutralizar um campo pirata da organização que tem vindo a ser reconhecida ano após ano,
bastante ativo a Norte, na carreira de tiro de Cape Wrath, reali- a sua dimensão enquanto exercício, mas, sobretudo, a importân-
zando tiro contra-costa. Esta tarefa provaria ser um dos momen- cia que tem sido dada pela comunidade internacional (NATO e
tos mais marcantes da participação do navio no exercício. não-NATO).
O ambiente de ameaça cibernética constante com a intrusão Embora possa existir a ideia generalizada de uma redução do
em circuitos não-classificados e classificados serviu de treino, número de conflitos armados ao longo dos últimos anos, é im-
não só pelo realismo imposto mas também pelo facto de ser uma portante lembrar que os padrões de treino necessários para o
temática emergente, permitindo verificar que o processo de de- desempenho operacional eficaz e eficiente em cenários de con-
cisão e implementação de ordens e instruções ficou dependente flito de maior intensidade são exigentes e requerem treino fre-
de sistemas mais rudimentares, i.e. mensagens e circuitos rádio, quente em cenários realistas, tal como acontece no JOINT WAR-
porém, igualmente robustos. As limitações de passagem de in- RIOR.
formação nestes sistemas e o aumento de tráfego de mensagens
colocaram um desafio adicional de gestão de informação, dificul- 9 AEQUO ANIMO F331
tando (e muito) a ação de comando e controlo. Com a colaboração do
COMANDO DO NRP ÁLVARES CABRAL
Foi também possível otimizar o treino fornecido pelo JOINT
WARRIOR noutras áreas importantes, como foi o caso do rela- Notas
cionamento com os órgãos de comunicação social (OCS). Todo 1 Faslane é, durante a fase operacional do JOINT WARRIOR, o quartel-general
o exercício obedeceu a uma robusta organização com a emissão
de reportagens jornalísticas baseadas na cobertura feita a bordo, avançado do JTEPS. A sede do quartel-general é em Northwood.
bem como com a exploração das novas tecnologias, como foi o 2 O exercício contou com a presença de um submarino nuclear, o HMS Ambush.
caso da utilização das novas plataformas de redes sociais. 3 Em tudo semelhante à plataforma Twitter, à exceção de ser uma aplicação em
Ao longo do exercício, o Critter2, a plataforma de referência que circuito fechado, dedicada apenas ao exercício.
simulava as redes sociais, permitiu, não raras vezes, obter na pri- 4 OSINT - Open Sources Intelligence.
meira pessoa e ao minuto, o impacto direto das operações junto
da opinião pública, indicando a eficácia da operação em curso,
sendo também (muitas vezes) uma fonte importante de OSINT4.
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