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REVISTA DA ARMADA | 498 13
Stratεgia
ESTRATÉGIA MARÍTIMA DA NATO Foto: Vincent J. Street
PARTE II: OPERACIONALIZAÇÃO
No artigo anterior, abordámos a génese da Estraté-
gia Marítima da NATO (EMN) de 2011. Nesta edição,
debruçamo-nos sobre o processo em curso para a sua
operacionalização, procurando responder a três ques-
tões centrais:
1. Porque é que a fase de operacionalização só se
iniciou três anos após o lançamento da EMN?
2. Quais as linhas de ação estratégicas contempla-
das no plano de operacionalização?
3. Que oportunidades e desafios se colocam a Por-
tugal pela participação neste processo?
1. PORQUÊ SÓ AGORA?
A experiência de implementação da gestão estra-
tégica na Marinha revelou os diversos fatores críticos Standing NATO Maritime Group1 (SNMG1)
para o sucesso da operacionalização de qualquer es-
tratégia, que vão desde uma liderança ativa até ao envolvimento promisso de contribuírem para a geração de uma força naval
global da organização, passando, entre outros, pela criação do permanente de dimensão e capacidade credíveis.
sentido de urgência para se iniciar o processo de transformação.
O atraso na operacionalização da EMN deveu-se certamente a
falhas nalguns desses fatores críticos, sendo porventura a mais
preponderante a falta de sentido de urgência. Com efeito, em 2. LINHAS DE AÇÃO ESTRATÉGICAS
2011 a NATO encontrava-se empenhada no Afeganistão, naquela O referido plano elenca as seis linhas de ação estratégicas
que foi a maior operação da sua história – a International Secu-
rity Assistance Force – dificultando a canalização de recursos para atualmente em implementação:
outras iniciativas consideradas menos prioritárias naquela altura, 1ª Revigorar as Forças Navais Permanentes – As Forças Na-
o que veio a criar sérios desafios para a manutenção dos padrões vais Permanentes constituirão a componente naval da Very
de prontidão exigidos às Forças Navais Permanentes1. High Readiness Joint Task Force2, a ser criada no quadro da
Com o final daquela operação, em 31 de dezembro de 2014, implementação do Readiness Action Plan3 (RAP) aprovado em
iniciou-se a transição de uma NATO empenhada para uma Gales. Esta é a medida mais prioritária do plano de operaci-
NATO preparada, onde o treino e os exercícios, no âmbito da onalização da EMN, exigindo uma maior disponibilização de
Connected Forces Initiative, passaram a ser os elementos-chave navios pelos aliados e o reforço do treino para operações de
para incrementar a interoperabilidade e a prontidão das forças alta intensidade. Para este efeito, as Forças Navais Permanen-
aliadas. Essa transição veio proporcionar as condições necessá- tes deixarão de ser empregues em operações de segurança
rias para um maior enfoque na operacionalização da EMN, per- marítima de longa duração, como já se verificou com a sua
mitindo reequilibrar as componentes militares da NATO. retirada da operação OCEAN SHIELD de combate à pirataria
Por outro lado, a alteração do contexto geo-estratégico de somali, para a qual passou a existir um processo de geração
segurança na região Euro-Atlântica, marcada pela crise na de forças autónomo.
Ucrânia e subsequentes demonstrações do poder aeronaval 2ª Melhorar a capacidade de projeção de forças marítimas
da Rússia, bem como pelo surgimento de outras crises e focos de contingência – O objetivo é garantir a disponibilidade de
de instabilidade no Médio Oriente, Norte de África e Golfo da forças marítimas de reserva com uma prontidão superior à
Guiné, reforçou o tal sentido de urgência em revigorar a com- das atuais forças de contingência da NATO Response Force,
ponente naval da NATO, em particular os Standing NATO Ma- estando em estudo as possíveis modalidades de implementa-
ritime Groups (SNMG). ção desta medida.
Foi neste contexto que, na Cimeira de Gales de 2014, os 28 3ª Incrementar o treino, exercícios e certificação, no âmbito
chefes de Estado e de governo dos países aliados aprovaram da Connected Forces Initiative – Serão criadas mais oportunida-
o plano para a operacionalização da EMN, assumindo o com- des de treino para as forças navais, com cenários de combate
4 JULHO 2015

