Page 9 - Revista da Armada
P. 9
REVISTA DA ARMADA | 498
Monte Trigo, na parte oeste da Ilha de Santo Antão. Esta povoa- De realçar por último, antes do encerramento desta iniciativa, a
ção, de difícil acesso por terra por se encontrar no sopé de uma execução de um exercício de desembarque tático com recurso a
montanha, tem cerca de 900 habitantes e sobrevive sobretudo natação de combate para reconhecimento de praia sob controlo
das atividades piscatórias. Esta atividade teve por objetivo assis- hostil, e respetivo assalto e ocupação. Para além destas ativida-
tir esta população, por via marítima, em termos de apoio médico, des, puramente militares, foi surpreendente o interesse e entusi-
técnico e de algumas reparações de infraestruturas, designada- asmo por parte da população na presença da fragata Bartolomeu
mente uma escola primária. A projeção de pessoal e material da Dias. O navio esteve aberto a visitas, tendo, em apenas um dia e
Bartolomeu Dias iniciou-se logo pela manhã, com o desembar- meio, sido visitado por cerca de 560 crianças e alunos de escolas
que de uma equipa multidisciplinar de 40 militares, chefiada pelo públicas, privadas e de instituições de apoio social de toda a ilha,
oficial imediato, e com valências nas áreas médico-sanitária, de com idades compreendidas entre os 6 e os 10 anos! A largada
mecânica e de apoio geral. Esta iniciativa, previamente planeada do navio foi ligeiramente atrasada devido à presença a bordo da
e coordenada com as autoridades cabo-verdianas, tinha já identi- Primeira-Dama da RCV, Drª Lígia Dias Fonseca, que acompanhou
ficado três vetores principais de ação em terra. O primeiro incluiu uma destas visitas enquanto madrinha de uma escola. A alegria
a recuperação e pintura de uma escola primária, onde estudam das crianças foi contagiante tendo a sua gratidão sido expres-
mais de oitenta crianças com idades compreendidas entre os 6 e sa de forma audível através de cânticos e palmas, simplesmen-
os 12 anos. Na escola foram ainda realizados trabalhos de bene- te pelo fato da Bartolomeu Dias lhes ter proporcionado a única
ficiação, designadamente a pintura geral do edifício e várias re- oportunidade de visitar uma fragata. Foi igualmente gratificante
parações elétricas. No final, para grande gáudio dos mais peque- para a guarnição do navio, receber estas crianças e estas mani-
ninos, foi oferecido diverso material de uso e apoio escolar. O se- festações de carinho.
gundo vetor incidiu no rastreio médico-sanitário junto da popu-
lação local, tendo sido prestado apoio e aconselhamento médico REGRESSO A LISBOA
a cerca de meia centena de adultos e crianças. E, por fim, mas
não menos importante, foram efetuadas reparações a motores Após ter desembarcado os últimos “pequenos visitantes”, a
fora de borda de embarcações de pesca local, acompanhadas de Bartolomeu Dias largou da cidade da Praia em direção a Lisboa.
ações de formação viradas para situações futuras de diagnóstico, Impunha-se agora fazer o balanço da missão, os debriefings, as
manutenção e reparação de avarias mais previsíveis. Enquanto lições aprendidas, os relatórios e começar a preparar a missão
decorria esta ação em terra, o navio realizou uma patrulha de seguinte.
fiscalização num banco piscatório, com militares da Guarda Cos-
teira e inspetores cabo-verdianos a bordo. O resultado desta ati- À chegada à Base Naval de Lisboa, as famílias saudosas
vidade foi duplamente satisfatório: a população local apreciou o esperavam a Bartolomeu Dias. Esta chegou com o “nariz” (bu-
apoio direto e eficaz prestado e a guarnição da Bartolomeu Dias zina de proa) pintado de vermelho por ter “tido a ousadia” de
realizou uma tarefa bastante nobre e gratificante, que contribuiu cruzar a linha do Equador. Os seus militares, esses chegaram com
para a moral de ambas as partes! o orgulho e sentimento do dever cumprido e desejosos natural-
mente de acolher os seus familiares e amigos!
PRAIA – MAR ABERTO
Esta missão durou 2 meses e meio. O navio percorreu 10607
No dia 2 de maio, o navio arribou novamente ao porto da ci- milhas náuticas, realizou 935 horas de navegação que se traduziu
dade da Praia, para a última escala antes do regresso definitivo a numa taxa de navegação de 55 porcento. Recebeu a bordo 1002
Lisboa. Continuaram-se aqui as últimas ações de CTM, com no- visitantes civis e militares.
vas interações entre os fuzileiros portugueses e cabo-verdianos.
Colaboração do
COMANDO DO NRP BARTOLOMEU DIAS
JULHO 2015 9

