Page 4 - Revista da Armada
P. 4

REVISTA DA ARMADA | 542





              Str                                                                                            49








              50 ANOS NAS FORÇAS NAVAIS


              PERMANENTES DA NATO



              DE 1995 ATÉ HOJE



                 om a integração das fragatas da classe
              CVasco da Gama na sua Marinha, Portu-  Cerimónia de mudança de comando da STANAVFORLANT, em 6 de abril de 1995, no cais de Alcântara em
                                                  Lisboa, com o CALM Reis Rodrigues a assumir o comando da força.
              gal passou a fazer parte do núcleo restrito
              de países com capacidade para comandar
              as forças navais permanentes da NATO,
              tendo assumido o comando da  Standing
              Naval Force AtlanƟ c (STANAVFORLANT),
              pela primeira vez, entre abril de 1995 e abril
              de 1996. O comando da força pertenceu
              ao então contra-almirante Reis Rodrigues,
              tendo a parƟ cipação nacional envolvido as
              três fragatas da classe Vasco da Gama, como
              navios-almirantes, além do Bérrio, que tam-
              bém integrou a força durante cerca de mês e
              meio. No referido período, a força parƟ cipou
              na operação SHARP GUARD, de imposição
              da paz e de embargo à ex-Jugoslávia.
               Passado este ponto marcante, Portugal con-
              Ɵ nuou a contribuir com uma fragata para a
              STANAVFORLANT, por períodos que variaram
              entre 4 e 6 meses, tendo voltado a coman-  controlar as principais rotas oceânicas no   ceito alargado de segurança, cujas frontei-
              dar essa força entre março de 2001 e março   senƟ do de prevenir atentados terroristas,   ras se situavam para além das fronteiras
              de 2002, através do então comodoro Melo   tráfi co de armamento e proliferação de   İ sicas dos aliados.
              Gomes, embarcado, sucessivamente, nas   armas de destruição maciça no ambiente   Entretanto, Portugal conƟ nuou a integrar
              fragatas Álvares Cabral, Corte-Real e Vasco   maríƟ mo. Importa referir que esta foi a   anualmente as forças navais permanentes,
              da Gama. Nesse período, ocorreu o atentado   única operação naval lançada pela NATO ao   com os seus empenhamentos a refl eƟ -
              de 11 de setembro de 2001 nos EUA, tendo   abrigo do já referido arƟ go 5.° do seu tra-  rem uma atenção crescente ao  fl anco  sul,
              a NATO invocado, pela primeira e única vez   tado fundador – que, como já mencionado,   ilustrada pela já referida operação ACTIVE
              na sua história, o arƟ go 5.° do Tratado de   havia sido invocado na sequência do ata-  ENDEAVOUR, no Mediterrâneo, e pelo péri-
              Washington, que estabelece que um ataque   que terrorista de 11 de setembro de 2001.   plo do SNMG-1 pelo conƟ nente africano, em
              contra um aliado é um ataque contra todos.   Entre dezembro de 2001 e janeiro de 2002,   2007, em que parƟ cipou  a  fragata  Álvares
               Recuperando a metáfora informáƟ ca uƟ -  esta operação esteve a cargo da STANAV-  Cabral. Contudo, a decisão da NATO no sen-
              lizada no arƟ go anterior – segundo a qual,   FORLANT (que, na altura, integrou o maior   Ɵ do de (em resposta a um pedido da ONU)
              o período da Guerra Fria correspondeu   número de unidades de sempre: 15 navios),   envolver os SNMG em operações anƟ -pirata-
              à NATO 1.0, a que se seguiu a NATO 2.0, a   sob comando do comodoro Melo Gomes.   ria na área do Corno de África e da bacia da
              parƟ r da dissolução da União SoviéƟ ca, em   Cabe aqui referir que, a parƟ r de 2005, as   Somália, a parƟ r de fi nais de 2008, iria cons-
              1991 – o ataque de 11 de setembro de 2001   duas forças navais permanentes da NATO:   Ɵ tuir o início de sucessivos empenhamentos
              assinalou a transição para a NATO 3.0, com   a STANAVFORLANT e a sua congénere do   das forças navais permanentes da NATO em
              o envolvimento na longa guerra contra o   Mediterrâneo (STANAVFORMED), passa-  operações de baixa intensidade, com algum
              terrorismo.                        ram a designar-se Standing NATO MariƟ me   descuramento do treino para operações de
               Com efeito, pouco depois desse ataque   Groups 1 e 2 (adotando as siglas SNMG-1 e   alta intensidade. Esse envolvimento em ope-
              terrorista, a NATO desencadeou, no mar   SNMG-2), evidenciando a perda de impor-  rações anƟ -pirataria iniciou-se em outubro
              Mediterrâneo, a operação DIRECT ENDEA-  tância dos critérios e dos vínculos geográfi -  de 2008, com a operação ALLIED PROVIDER,
              VOUR, prontamente renomeada como   cos, em favor de uma uƟ lização indisƟ nta   à qual sucedeu, a parƟ r de março de 2009,
              ACTIVE ENDEAVOUR, com o objeƟ vo  de   de ambas as forças ao serviço de um con-  a ALLIED PROTECTOR que, por sua vez, deu


              4    JULHO 2019
   1   2   3   4   5   6   7   8   9