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REVISTA DA ARMADA | 498
EUROMARFOR
20º Aniversário
Comemorou-se no dia 15 de maio de 2015, em Cartagena, os 20 petive o que aconteceu à componente terrestre, EUROFOR, que
anos de existência da Força Marítima Europeia (EUROMARFOR, foi desativada na sequência de uma decisão tomada ao mais alto
EMF). No evento, entre outras altas entidades, estiveram os co- nível, em Florença, em 2012.
mandantes navais das quatro nações EUROMARFOR.
A EUROMARFOR tem provado ser uma iniciativa eficiente, prin-
Na sequência da Declaração de Petersberg, de 1992, a União da cipalmente porque se sustenta numa estrutura muito flexível, que
Europa Ocidental começou a rever a sua estrutura para se adaptar se baseia no conceito de força não permanente, mas pré-estrutura-
a um novo mundo em mudança, com novas missões identificadas. da (com um importante capital de procedimentos validados ao lon-
Estas novas missões exigiam novas forças e novas formas de atu- go dos anos). Esta flexibilidade é muito importante nos dias de hoje
ar e, por isso, os governos dos quatro países do sudoeste europeu porque, em virtude da presente situação financeira, representa uma
(França, Itália, Portugal e Espanha) resolveram criar as EUROFOR- alternativa credível para o planeamento operacional e ao mesmo
ÇAS, uma estrutura com um ramo de ação naval (EUROMARFOR) e tempo mantém o custo de manutenção a um nível muito razoável.
um ramo de ação terrestre (EUROFOR).
Por enquanto, os princípios orientadores da ação da EUROMAR-
A decisão relativa ao ramo naval foi rápida, em setembro de FOR, definidos pelas quatro nações, são a contribuição para a Polí-
1992 já havia uma vontade comum relativamente à criação de tica Comum de Segurança e Defesa da União Europeia, para a Se-
uma Força Marítima Multinacional. A assinatura do documento de gurança Marítima e para cooperação com os países africanos do
criação da Força Marítima Europeia (EUROMARFOR) demorou um diálogo do Mediterrâneo (em especial os da iniciativa 5+5).
pouco mais, foi feita em Lisboa a 15 de maio de 1995.
Há sempre que olhar para a frente; neste sentido podemos pers-
Não tardou muito até que a EMF entrasse em ação no mun- petivar que a EUROMARFOR possa vir a desempenhar um papel
do real, foi no Mediterrâneo Oriental, em 2002, com a operação fundamental no processo de criação de forças navais da União Eu-
“Coherent Behaviour”. Pela primeira vez a EUROMARFOR atuava ropeia (UE), graças a quase seis anos de experiência acumulada
de forma autónoma no âmbito de um mandato direto das quatro em operações com a maioria das unidades navais da UE e equipas
nações da EUROMARFOR. Durante esta operação, a EUROMAR- multinacionais. A EMF tem sido um laboratório naval real e tem
FOR atuou em estreita cooperação com a NATO, no quadro da ajudado a criar uma nova geração de marinheiros capazes de tra-
Operação “Active Endeavour”. balhar em equipa, com uma linguagem comum e com uma ambi-
ção partilhada. Não há dúvida de que a EUROMARFOR pode con-
Seguiu-se de imediato um novo desafio, em 2003, a operação tinuar a ajudar a gerar forças europeias mais flexíveis, credíveis e
“Resolute Behaviour” no Oceano Índico, em apoio à operação mais reativas no futuro.
da coligação internacional “Enduring Freedom”, e que durou até
2005. A prova da vitalidade da EUROMARFOR fez-se no dia 15 de maio
de 2015, em Cartagena. No seu aniversário estiveram navios em-
A EUROMARFOR participou também na Operação UNIFIL, entre bandeirados dos quatro países da EUROMARFOR, bem como os
2008 e 2009, sob a égide das Nações Unidas (ONU). Essa ativação respetivos comandantes navais, nomeadamente o Vice-almiran-
foi um marco histórico, não só para a EUROMARFOR mas também te Pereira da Cunha, no caso português. Esta cerimónia terminou
para a ONU, porque foi a primeira operação liderada diretamente com a ativação da EUROMARFOR para a participação no exercício
pelas Nações Unidas. SPANISH MINEX 15. A corveta Baptista de Andrade, com um desta-
camento de mergulhadores, foi aprontada pela Marinha e enviada
Desde dezembro de 2011 que a EUROMARFOR tem estado qua- pelo EMGFA para participar neste exercício, onde cumpriu, como é
se permanentemente ativada para participar na contribuição eu- apanágio das nossas Forças Armadas, com empenho e brilhantis-
ropeia para a segurança marítima no Oceano Índico, a “Operação mo. Nesta ocasião foi ainda apresentado um novo portal da EURO-
ATALANTA”. Esta ativação, excluindo alguns intervalos curtos, já MARFOR disponível em www.euromarfor.org.
dura há 30 meses, com uma previsão de contar com o empenha-
mento da EUROMARFOR mais um ano (até FEV2016). A EUROMARFOR é comandada atualmente pelo Comandante Na-
val Espanhol (Almirante de la Flota – ALFLOT), Almirante Santiago
Ao longo destes 20 anos, a participação da EUROMARFOR em Bolíbar Piñero. Em setembro próximo, o comando muda para Itália
operações reais já totaliza mais de 72 meses, a que se devem so- durante 2 anos, devendo regressar a Portugal em setembro de 2017.
mar os programas de treino anuais (um com escoltas e outro com
draga-minas) e os exercícios multicooperativos com os países do Dias Correia
Sul do Mediterrâneo (o último, com Marrocos, em 2014). CFR
Assim, a visibilidade e o reconhecimento internacional da EMF Célula Permanente da EUROMARFOR
tem aumentado significativamente, não impedindo, no entanto,
que hoje também se questione o seu futuro, embora não se pers-
14 JULHO 2015

