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REVISTA DA ARMADA | 542

              ERASMUS MILITAR


              1ª Parte



              O programa Erasmus, criado em 1987, está orientado para a educação superior e tem como objeƟ vo «melhorar
              a qualidade e fortalecer a dimensão europeia da educação superior fomentando a cooperação transnacional
              entre universidades, esƟ mulando a mobilidade na Europa e melhorando a transparência e o pleno reconheci-
              mento académico dos estudos e qualifi cações em toda a União». Desde 2014 o programa adotou um formato
              mais alargado, denominado Erasmus+, enquanto parte da Estratégia Europeia 2020.
              O Erasmus Militar (EM) é uma iniciaƟ va europeia para permuta de jovens ofi ciais inspirado no programa Eras-
              mus. O EM está focado na educação e treino básicos, por oposição ao nível avançado dos cursos necessários à
              formação de um ofi cial de carreira.



              COMO SURGIU                                          de permuta de alunos entre insƟ tuições militares europeias de
                                                                   ensino; para facilitar e integrar a implementação desse plano foi
               O tratado de Maastricht, de 1993, veio reconhecer as ameaças   criado em 2005 o European Security and Defence College (ESDC).
              e os desafi os que se colocavam à segurança coleƟ va da União
              Europeia e levou à adoção de uma estratégia de combate comum   IMPLEMENTAÇÃO
              – a PolíƟ ca Europeia de Segurança e Defesa (PESD) / European   Inicialmente foram idenƟ fi cadas cinco linhas de desenvolvimento:
              Security and Defence Policy (ESDP). A ESDP veio a evoluir para   1.  A criação de um módulo comum em segurança e defesa
              a  Common Security and Defence Policy (CSDP). No decurso da   europeia;
              implementação da PESD, o respeƟ vo relatório de 2003 destacava   2.  A criação de uma plataforma na internet, disponibilizando
              a necessidade de formação comum, a nível da educação básica   um variado inventário de materiais relacionados com o
              (inicial) dos jovens ofi ciais, de modo a prepará-los melhor para a   processo;
              gestão dos desafi os futuros que requeiram uma adequada inte-  3.  A criação de um fórum para o programa de permuta;
              roperabilidade em ambientes internacionais.           4.  A elaboração de um framework agreement no âmbito dos
               Em 2008, um documento saído duma ministerial de Defesa dos   detalhes administraƟ vos e legais relacionados com o pro-
              países da União Europeia impulsionou o esquema de permuta   cesso; e
              entre as diversas escolas militares de jovens ofi ciais, baseado no   5.  A criação de mais módulos comuns.
              programa civil ERASMUS iniciado muitos anos antes. A Escola
              Naval (EN), enquanto estabelecimento de ensino universitário,   Em Portugal, o processo do Erasmus Militar tem sido liderado
              parƟ cipa nesse programa civil desde 2011, tendo uma Carta   pelo Ministério da Defesa Nacional, através da Direção-Geral de
              Erasmus e trocando regularmente alunos, por um semestre, com   Pessoal e Recrutamento Militar (DGPRM). A Marinha parƟ cipa

              outras insƟ tuições. A parƟ cipação da EN no programa Erasmus   aƟ vamente no processo desde o seu início, através do Gabinete
              será objeto de outros arƟ gos a publicar na RA.      de Relações Internacionais da EN.
                                                                    Logo em setembro de 2009 decorreu nas academias militares
                                                                   (EN, Academia Militar e Academia da Força Aérea) um curso
              EVOLUÇÃO DO CONCEITO
                                                                   intensivo de 5 dias sobre a PESD – o embrião do módulo comum
               Numa reunião em Bruxelas do Conselho do PESD, havida em   em segurança e defesa europeia atrás referido – que contou com
              novembro de 2008, saiu a Declaração de que “O treino/educação   a parƟ cipação de 39 jovens ofi ciais e alunos de 18 países euro-
              de um ofi cial começa depois do seu recrutamento até concluir o   peus, incluindo alguns Aspirantes da EN.
              seu mestrado (caso esteja incluído na sua formação base inicial),   Para ajudar a aƟ ngir os desideratos da iniciaƟ va europeia de
              incluindo treino vocacional e treino académico”. A educação e o   permuta de jovens ofi ciais foi consƟ tuído um Grupo de Imple-
              treino base de um ofi cial, têm, em geral, duas componentes: a   mentação (GI) que defi ne as ações a desenvolver em prol da ini-
              formação académica, que fornece o conhecimento teórico; e o   ciaƟ va. Para além das reuniões trimestrais do GI, as insƟ tuições
              treino vocacional, que inclui a formação militar, de acordo com o   militares de ensino inicial de ofi ciais organizam uma conferência
              perfi l profi ssional de cada ofi cial, e o treino İ sico.  anual – o InternaƟ onal Military Academic Forum  (IMAF) – ten-
               Havia então que delinear um esquema de mobilidade dos Jovens   tando contribuir para a resolução de problemas e dos desafi os
              Ofi ciais Europeus baseado no programa ERASMUS na sua fase ini-  que se colocam na implementação da iniciaƟ va. São nomeada-
              cial de formação, por forma a reforçar, no futuro, a capacidade das   mente analisados os resultados obƟ dos nos módulos comuns já
              Forças Armadas europeias trabalharem em conjunto e, concomi-  criados, idenƟ fi cados novos tópicos a incluir na educação inicial
              tantemente, melhorarem a sua interoperabilidade. Prevalecia o   de ofi ciais e idenƟ fi cadas possíveis fontes externas de fi nancia-
              critério da livre vontade, a nível nacional, no que respeita às ações   mento para concreƟ zação dos objeƟ vos de mobilidade.














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