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REVISTA DA ARMADA | 542


































               Ocorrem ainda regularmente reuniões dos Comandantes de   professores no âmbito do Erasmus “normal” civil, a Escola Naval
              escolas militares dos países europeus – o European Military Aca-  está empenhada em promover o programa Erasmus Militar. Pre-
              demies Comandant’s Seminar (EMACS) – e dos Comandantes das   vê-se que, brevemente, algumas Escolas Navais venham a dispo-
              Escolas Navais europeias, que são fora privilegiados de divulga-  nibilizar um programa piloto de semestre naval comum, e que os
              ção e debate das aƟ vidades mais recentes do GI e do ESDC.  restantes países possam enviar alunos e professores para parƟ ci-
               Através dos eventos realizados (IMAF, GI meeƟ ngs, Erasmus+   par nele, permiƟ ndo a validação e consolidação do modelo.
              meeƟ ngs, etc.) o GI criou uma rede de peritos da Educação
              Europeia para o nível de formação inicial dos ofi ciais militares,
              visando agilizar o processo de tomada de decisão.   POSSIBILIDADES/CONSTRANGIMENTOS
                                                                    Apesar do programa Erasmus Militar já contar com uma década de
              SEMESTRE INTERNACIONAL                              trabalho desenvolvido, nem todos estão convencidos dos beneİ cios
               Desse coleƟ vo de esforços em prol da materialização do programa   que aporta à educação e treino de futuros ofi ciais. Algumas das prin-
              de permutas resultaram propostas abrangendo novos módulos   cipais barreiras idenƟ fi cadas relaƟ vamente à mobilidade de cadetes
              comuns a incluir num futuro semestre internacional. As iniciaƟ vas   entre Escolas Militares europeias residem nos custos acrescidos, nas
              de Erasmus Militar estão mais avançadas nas academias ligadas   diferentes línguas faladas nos Estados membros e na difi culdade
              ao Exército. Em 2015, fruto das reuniões do IMAF e baseados num   de reconhecimento mútuo das competências adquiridas devido
              documento de um Conselheiro do Presidente da Comissão Europeia   aos disƟ ntos sistemas de educação. Por outro lado, ainda não foi
              promovendo a criação de um semestre internacional da Defesa,   implementado um sistema que responda cabalmente à necessi-
              foi iniciada a elaboração de um projeto de semestre internacional,   dade de parƟ lha da informação para operacionalizar este programa.
              enquadrado no programa Erasmus+ parcerias estratégicas.  Finalmente, há quem quesƟ one se fará senƟ do reƟ rar os alunos do
               Foram assim produzidos materiais didáƟ cos relaƟ vos a vários   seu sistema de ensino habitual, para que possam frequentar outros
              módulos comuns entretanto criados, acessíveis livremente –   programas de estudo fora do país, com o risco de perderem partes
              nomeadamente  e-books e materiais de  e-learning. Em 2017   importantes dos conteúdos da escola de origem.
              a Polónia, a Grécia e a Roménia implementaram um semestre   Claro que estas questões não têm resposta rápida; porém é
              internacional, com um perfi l adequado ao Exército, acessível   patente que ao longo dos úlƟ mos dez anos foram criadas políƟ cas
              aos restantes parceiros europeus – que podem parƟ cipar  na   e instrumentos desƟ nados a reforçar a invesƟ gação e o desenvolvi-
              totalidade ou apenas em alguns dos módulos que consƟ tuem o   mento de capacidades de Defesa, geradas coleƟ vamente pelos paí-
              semestre, de acordo com as respeƟ vas preferências individuais.   ses europeus. Essa ação coleƟ va resultará não só na melhoria das
               As linhas de desenvolvimento do semestre internacional a   capacidades e competências em matéria de Defesa, mas também
              implementar foram resumidas pelo GI em oito pontos:  na consolidação de uma cultura comum europeia de Segurança e
               1.  Sistema de equivalências;                      Defesa. Nesse senƟ do, a iniciaƟ va de mobilidade entre alunos das
               2.  Desenvolvimento de competências;               escolas militares é ainda mais importante agora do que há dez
               3. Desenvolvimento de e-learning;                  anos, por ser uma medida concreta promotora de conhecimento
               4.  Criação de uma plataforma IT;                  mútuo, parƟ lha de know -how, estabelecimento de boas relações
               5.  Desenvolvimento de um mecanismo de suporte – Framework;  pessoais, enriquecida pela diversidade dos intervenientes, cons-
               6.  Implementação do programa a nível Nacional;    Ɵ tuindo-se como um elemento-chave de sucesso num futuro em
               7.  Formação ao longo da vida; e                   que se antevê uma crescente necessidade para os líderes militares,
               8. Módulos comuns.                                 nos seus diversos níveis de responsabilidade, trabalharem em con-
                                                                  junto em prol da Segurança e Defesa coleƟ vas.
               Dando conƟ nuidade a esta iniciaƟ va, e como modo de reforçar
              os bons resultados obƟ dos através do intercâmbio de alunos e                     Colaboração do ESCOLA NAVAL


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