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REVISTA DA ARMADA | 542


























               Com a transição da vela para a propul-  das do séc. XVI operaram-se inovações   50 canhões. No entanto, com o advento
              são mecânica surgiram outros signifi ca-  signifi caƟ vas no âmbito naval. Os gran-  de navios maiores e com mais bocas-de-
              dos. Um “fogueiro”, por exemplo, era   des navios à vela foram suplantados por   -fogo, foi necessário estabelecer critérios
              um profi ssional que operava caldeiras a   navios ainda maiores, fortemente arma-  para que um navio ostentasse a desig-
              vapor e executava todos os trabalhos de   dos, com melhor capacidade de mano-  nação. Foi o Almirante inglês George
              operação e manutenção das mesmas .   bra e mais especializados em operações   Anson , enquanto Primeiro Lorde do
                                                                                         13
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               Na batalha de Diu – combate naval   militares. Em meados do séc. XVII a táƟ ca   Almirantado, que em 1754 estabeleceu
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              entre portugueses e turcos , que mate-  naval evoluiu da linha para a coluna, com   estes critérios que também serviriam
              rializavam uma ameaça real à presença   navios com grande capacidade de fogo   de padrão para muitas outras marinhas
              lusa no Índico – pela primeira vez navios   pelo través. De facto, os ingleses usa-  nacionais.
              dispararam os seus canhões a navegar,   ram pela primeira vez este novo método
              conjugando assim a manobra de vela com   de combate na batalha de LowestoŌ  em                Piedade Vaz
              o Ɵ ro de arƟ lharia. Até então, as unidades   1665, na segunda guerra anglo-holan-              CFR REF
              navais serviam para transporte de tropas   desa, infl igindo uma pesada derrota à   Comunicação efetuada no âmbito do VIII Colóquio
              ou praƟ cavam a abordagem, lutando   esquadra inimiga . Inicialmente era con-  Internacional, ImagéƟ ca do Fogo: medos, paixões,
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              depois conforme o faziam em terra .  siderado um “Navio de Linha”  (Ship-of-  renascimentos, Faculdade de Letras da Universi-
                                                                         12
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               No  fi nal do séc. XV e nas primeiras déca-  -the-Line) aquele que Ɵ vesse no mínimo   dade de Lisboa, 4 de Junho de 2019.

                                                                    Notas
                                                                    1  Em geologia considera-se água subterrânea toda aquela água que ocupa todos
                                                                    os espaços vazios de uma formação geológica, os chamados aquíferos. As águas
                                                                    subterrâneas são formadas pelo excedente das águas das chuvas.
                                                                    2  Cf., NIERENBERG, W., et al, O Grande Livro dos Oceanos, Publiclub, Lisboa. 1980, p.10.
                                                                    3  Cf., POTTER, E. B. and NIMITZ, Chester W., Sea Power: A Naval History 2d ed. US
                                                                    Naval InsƟ tute Press, Annapolis, MD, 1981, p. 1.
                                                                    4  Cf., LEITÃO, Humberto e Lopes, Vicente, Dicionário da Linguagem de Marinha
                                                                    anƟ ga e Actual, 3ª Edição Edições Culturais da Marinha, Lisboa 1990, pp. 268-269.
                                                                    5  Ibidem, p. 269.
                                                                    6  Em termos técnicos as zonas do costado de uma embarcação ou navio defi nem-se
                                                                    do seguinte modo: o través, é cada um dos lados, perpendicular à linha longitudinal.
                                                                    A amura é a zona entre a proa e o través. A alheta é a zona entre a popa e o través.
                                                                    7  Cf., Ibidem, p. 113.
                                                                    8  Cf., LEITÃO, Humberto e Lopes, Vicente, Dicionário da Linguagem de Marinha
                                                                    anƟ ga e Actual, 3ª Edição Edições Culturais da Marinha, Lisboa 1990, p. 269.
                                                                    9  A batalha de Diu decorreu em 3 de fevereiro de 1509, traduzindo-se no con-
                                                                    fronto entre a esquadra de D. Francisco de Almeida e uma esquadra combinada
                                                                    do Sultanato de Burji do Egito, do Samorin de Calecute e do Sultão de Guzerate. A
                                                                    vitória portuguesa foi decisiva, no senƟ do em que, com ela, se iniciou o período
                                                                    de domínio europeu no Índico.
                                                                    10  Cf., SACHETTI, A. Emílio, “A Estratégia MaríƟ ma e o Progresso das Nações”, A
                                                                    Estratégia Naval Portuguesa, Cadernos Navais, nº 10, Julho – Setembro, Grupo de
                                                                    Estudos e Refl exão de Estratégia, Edições Culturais da Marinha, Lisboa, 2004, p. 16.
                                                                    11  Cf., LARRABEE, Eric, Commander in Chief, Naval InsƟ tute Press, Annapolis, MD,
                                                                    2004, p. 164.
                                                                    12  Cf., HATTENDORF, John, “The Oxford Encyclopedia of MariƟ me History, vol. 4”,
                                                                    Ships-of-the-line, by Nicholas Tracy, Oxford University Press, 2007, p. 104.
                                                                    13  Para lá da criação do sistema de classifi cação dos navios de acordo com o
                                                                    número de bocas de fogo, Anson, como Primeiro Lorde do Almirantado entre 1751
                                                                    e 1756, foi responsável pela melhoria do serviço de saúde naval, por um novo
                                                                    regulamento disciplinar, pela criação de novos uniformes e pela transferência dos
                                                                    fuzileiros navais do Exército para a Marinha.



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