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REVISTA DA ARMADA | 543
VIGIA DA HISTÓRIA 112
METEOROLOGIA
m dos elementos essenciais para um adequado planeamento da acƟ -
Uvidades no mar é o conhecimento da previsão meteorológica, situação
essa que nos dias de hoje se encontra bastante simplifi cada com a profu-
são, nos vários órgãos de comunicação social, das previsões, fruto do tra-
balho de uma categoria de profi ssionais que o vulgo persiste em conside-
rar ser consƟ tuída por seres indefi nidos mas, no entanto, beneméritos em
extremo e isto porque, quando se lhes referem, as expressões usadas são
sempre, ou quase sempre, “eles dão“, seja o objecto da doação o frio, o
calor , o vento , a chuva ou o bom tempo, etc…
Anteriormente ao trabalho destes profi ssionais, trabalho esse aliás
bem diİ cil, numa área da ciência, porque não dizê-lo, tão imprevisível,
os homens que no mar desenvolviam a sua acƟ vidade valiam-se, para as
suas previsões, de um conjunto de regras, baseadas na observação e inter-
pretação de vários factores, regras essas que eram apresentadas de forma
rimada com o objecƟ vo de uma mais fácil memorização e cujo rigor não era
assim tão pequeno.
Vai para algum tempo, encontrei um conjunto dessas regras, anƟ gamente
em uso em Azurara, que, à falta de outras melhores, poderão ainda vir a
ter alguma uƟ lidade:
Lua à tardinha com o seu anel, dá chuva à noite, ou vento a granel;
Sem nuvens o céu e as estrelas sem brilho, verás que a tormenta te põe
em sarilho;
Se depois da chuva vier nevoeiro, terás bom tempo, marinheiro;
Se ao vale a névoa baixar, vai para o mar, mas se pelo monte se atrasa,
fi ca em casa;
Relâmpagos ao Norte, vento forte, se do Sul vem, chuva também;
Se um trovão solto no Céu reboa, temporal violento nos apregoa;
Manhã com arco, mal vai o barco, se à tarde vem, é para teu bem;
Quando ao Sol posto o Norte é puro, tens bom tempo seguro;
Vento Sudoeste, marinheiro e panga, é temer dele quando se zanga;
Se entrar por terra a gaivota, é que o temporal a enxota;
Nuvens aos pares, paradas e cor de cobre, é temporal que descobre;
Nuvem comprida que se desfi a, sinal de grande ventania;
Vermelha alvorada, vem mal encarada;
Rosado o Sol posto, cariz bem disposto;
Miragem que espante, vento do Levante;
Lua deitada, marinheiro em pé;
Horizonte puro, com fuzis brilhando, terás dia brando, com calor seguro;
Poucos fuzis, trovões em barda, rumo em que o vento se alaparda;
Limpo horizonte que relampeja, dá sereno e calma sobeja;
Se vem chuva e depois vento, põe-te em guarda e toma alento;
Se tens vento e depois água, deixa andar que não faz mágoa;
Volta direita vem saƟ sfeita; volta de cão traz furacão;
Sol posto ledo com claro ao Norte, anda sem medo que estás com sorte;
Céu pedrento, não tem assento;
Nordeste molhado, não te dê cuidado;
Ferrado a correr, levante a morrer;
Ferrado corrido, levante sumido;
Vaga ao veres encrespado, vai dar-te o mar saltado.
Cmdt. E. Gomes
Fonte: Tradições MaríƟ mas de Azurara por Serafi m Gonçalves Neves
N.R. O autor não adota o novo acordo ortográfi co
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