Page 27 - Revista da Armada
P. 27

REVISTA DA ARMADA | 543


                                                           VIGIA DA HISTÓRIA                                  112





                                                           METEOROLOGIA





                                                              m dos elementos essenciais para um adequado planeamento da acƟ -
                                                          Uvidades no mar é o conhecimento da previsão meteorológica, situação
                                                           essa que nos dias de hoje se encontra bastante simplifi cada com a profu-
                                                           são, nos vários órgãos de comunicação social, das previsões, fruto do tra-
                                                           balho de uma categoria de profi ssionais que o vulgo persiste em conside-
                                                           rar ser consƟ tuída por seres indefi nidos mas, no entanto, beneméritos em
                                                           extremo e isto porque, quando se lhes referem, as expressões usadas são
                                                           sempre, ou quase sempre, “eles dão“, seja o objecto da doação o frio, o
                                                           calor , o vento , a chuva ou o bom tempo, etc…
                                                            Anteriormente ao trabalho destes profi ssionais, trabalho esse aliás
                                                           bem diİ cil, numa área da ciência, porque não dizê-lo, tão imprevisível,
                                                           os homens que no mar desenvolviam a sua acƟ vidade valiam-se, para as
                                                           suas previsões, de um conjunto de regras, baseadas na observação e inter-
                                                           pretação de vários factores, regras essas que eram apresentadas de forma
                                                           rimada com o objecƟ vo de uma mais fácil memorização e cujo rigor não era
                                                           assim tão pequeno.
                                                            Vai para algum tempo, encontrei um conjunto dessas regras, anƟ gamente
                                                           em uso em Azurara, que, à falta de outras melhores, poderão ainda vir a
                                                           ter alguma uƟ lidade:
                                                            Lua à tardinha com o seu anel, dá chuva à noite, ou vento a granel;
                                                            Sem nuvens o céu e as estrelas sem brilho, verás que a tormenta te põe
                                                            em sarilho;
                                                            Se depois da chuva vier nevoeiro, terás bom tempo, marinheiro;
                                                            Se ao vale a névoa baixar, vai para o mar, mas se pelo monte se atrasa,
                                                            fi ca em casa;
                                                            Relâmpagos ao Norte, vento forte, se do Sul vem, chuva também;
                                                            Se um trovão solto no Céu reboa, temporal violento nos apregoa;
                                                            Manhã com arco, mal vai o barco, se à tarde vem, é para teu bem;
                                                            Quando ao Sol posto o Norte é puro, tens bom tempo seguro;
                                                            Vento Sudoeste, marinheiro e panga, é temer dele quando se zanga;
                                                            Se entrar por terra a gaivota, é que o temporal a enxota;
                                                            Nuvens aos pares, paradas e cor de cobre, é temporal que descobre;
                                                            Nuvem comprida que se desfi a, sinal de grande ventania;
                                                            Vermelha alvorada, vem mal encarada;
                                                            Rosado o Sol posto, cariz bem disposto;
                                                            Miragem que espante, vento do Levante;
                                                            Lua deitada, marinheiro em pé;
                                                            Horizonte puro, com fuzis brilhando, terás dia brando, com calor seguro;
                                                            Poucos fuzis, trovões em barda, rumo em que o vento se alaparda;
                                                            Limpo horizonte que relampeja, dá sereno e calma sobeja;
                                                            Se vem chuva e depois vento, põe-te em guarda e toma alento;
                                                            Se tens vento e depois água, deixa andar que não faz mágoa;
                                                            Volta direita vem saƟ sfeita; volta de cão traz furacão;
                                                            Sol posto ledo com claro ao Norte, anda sem medo que estás com sorte;
                                                            Céu pedrento, não tem assento;
                                                            Nordeste molhado, não te dê cuidado;
                                                            Ferrado a correr, levante a morrer;
                                                            Ferrado corrido, levante sumido;
                                                            Vaga ao veres encrespado, vai dar-te o mar saltado.

                                                                                                          Cmdt. E. Gomes

                                                           Fonte: Tradições MaríƟ mas de Azurara por Serafi m Gonçalves Neves
                                                           N.R. O autor não adota o novo acordo ortográfi co


                                                                                                        AGOSTO 2019  27
                                                  DR
   22   23   24   25   26   27   28   29   30   31   32