Page 10 - Revista da Armada
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REVISTA DA ARMADA | 542
CONSCIÊNCIA SITUACIONAL:
SABER ONDE SE ESTÁ, COM QUEM SE ESTÁ
E COMO SE ESTÁ
“Os que ignoram as condições geográfi cas – montanhas e fl orestas, desfi ladeiros perigosos, pântanos e lamaçais
– não podem conduzir a marcha de um exército”
Sun Tzu
realidade de andar no mar implica sempre estar atento ao nam como as bases do conceito de Gestão de Recursos da Ponte
A que acontece fora do nosso navio. Seja a navegar em alto (BRM, do inglês Bridge Resource Management), fundamental
mar ou junto à costa, não exisƟ mos sozinhos no mar e é essa para operar em contexto maríƟ mo.
consciência que impede que acidentes ou incidentes indesejá- No arƟ go anterior, falou-se da importância de treinar equipas
veis aconteçam. Depois de um primeiro arƟ go dedicado à impor- nestas competências recorrendo a simuladores. Olhando para a
tância que o treino possui no desenvolvimento das competên- sequência que este treino pode seguir, é possível construir uma
cias necessárias para operar em ambiente maríƟ mo, de forma
segura, importa agora abordar em parƟ cular algumas dessas
competências.
As competências que um indivíduo pode uƟ lizar no seu traba-
lho são de dois Ɵ pos: competências técnicas e competências não
técnicas. Fala-se de competências técnicas quando se quer refe-
rir todas as competências que o indivíduo possui específi cas do
trabalho que realiza e estritamente relacionadas com o desem-
penho específi co desse trabalho. Por exemplo, estas competên-
cias são as uƟ lizadas na operação de um equipamento de radar,
na navegação em águas restritas ao nível da manobra do navio
ou na elaboração de um estudo sobre um qualquer tema. Já as
competências não técnicas referem-se a todas as outras com-
petências que o indivíduo necessita de ter e que são habitual-
mente designadas por “competências comportamentais”: lide-
rança, comunicação, gestão do stress, gestão da fadiga, tomada
de decisão, trabalho em equipa e consciência situacional. Estas
são as competências fulcrais na relação com os outros, na criação
e na sustentação das relações entre os elementos de equipa e
que permitem que o que cada um sabe a nível técnico possa ser
uƟ lizado durante um maior período de tempo sem que ocorram Pirâmide de competências não técnicas fundamentais para a gestão de recursos
erros indesejáveis. São também estas competências que funcio- da ponte e para o trabalho em equipa.
10 JULHO 2019

