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REVISTA DA ARMADA | 542






















              Chegadas por ano (de 1 de janeiro de 2015 a 31 de agosto de 2018)   Número de fatalidades por ano (de 1 de janeiro de 2014 a 06 de novembro de 2018)
              Fonte: Adaptado de EC  , 2018                       Fonte: Adaptado de EC  , 2018
                                                                                7
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               A referida tragédia humanitária de 19 de abril de 2015, na zona   •  adoção de uma nova políƟ ca de migração legal, através da
              de Lampedusa (Itália), levou à adoção de um plano de ação de   admissão de migrantes altamente qualifi cados, e da gestão
              10 pontos por parte da UE, no qual se defi nem medidas urgentes   das migrações laborais, assim como através da modernização
              para fazer frente à crise no Mediterrâneo. Entre as medidas ado-  da políƟ ca de vistos e de uma melhor integração dos migran-
              tadas, a mais controversa foi a proposta de uma missão militar   tes nas sociedades de acolhimento.
              para combater o contrabando e tráfi co de pessoas no Mediterrâ-  Com efeito, a gestão das migrações irregulares no Mediterrâ-
              neo inspirada na Operação Atalanta . Em maio do mesmo ano a   neo tem três dimensões disƟ ntas, complementares:
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              CE apresentou esta agenda, defi nindo um conjunto de medidas   •  cooperação com os países terceiros;
              urgentes, bem como uma resposta a médio prazo, em quatro   •  gestão fronteiriça;
              vertentes: migrações irregulares; gestão de fronteiras; sistema   •  prevenção do abuso dos canais de migração legais.
              de asilo; e canais de imigração legais. A agenda compreende   Em suma, o principal enfoque da Agenda Europeia de Migra-
              as diferentes dimensões da mobilidade humana, com vista a   ções é direcionado para a luta contra a imigração irregular e,
              desenvolver uma estratégia global para gerir as migrações a nível   na atualidade, a atenção recai sobre os solicitantes de proteção
              europeu. No entanto, as divergências entre os vários Estados   internacional. A agenda centra-se de maneira parƟ cular no curto
              Membros têm sido um entrave para a adoção de muitas destas   prazo, enquanto as medidas de médio prazo prestam pouca
              medidas, bem como para a defi nição do número de refugiados a   atenção à imigração regular. No entanto, pode-se observar que
              acolher, inviabilizando em grande parte o seu sucesso.  apesar de a UE centrar o seu discurso nas migrações regulares
               RelaƟ vamente à resposta imediata, reforça-se a relação entre   e no combate às causas da imigração irregular, o enfoque recai
              a imigração e segurança com a implementação de uma missão   essencialmente no reforço das fronteiras exteriores.
              naval – EUNAVFOR MED, no âmbito da PolíƟ ca Comum de Segu-
              rança e Defesa (PCSD), que tem como objeƟ vo principal conter
              os fl uxos irregulares e evitar as mortes no mar. Adicionalmente,                        Lourenço da Piedade
              reforçaram-se os orçamentos das missões FRONTEX – Triton e                                          CFR
              Poseidon, de modo a igualar a magnitude da missão Triton com a                               Santos Rocha
                                                                                                                 CTEN
              da Mare Nostrum, que subsƟ tuiu. Uma das novidades foi a cria-
              ção de centros de informação para quem solicita asilo e refúgio   ArƟ go adaptado da comunicação realizada nas Jornadas do Mar 2018 da
              nos países de origem e de trânsito, com um projeto piloto no   Escola Naval.
              Níger.
               Outra medida controversa consisƟ u na criação de um sistema
              de quotas, a implementar em situações de emergência futuras.   Notas
                                                                      IOM, 2018. Missing Migrants – Tracking deaths along migratory routes. Disponí-
              Esta medida apela à solidariedade e ao dever de todos os Estados   1 vel em: <hƩ ps://missingmigrants.iom.int/region/mediterranean> [Acedido em 24
              Membros para exercerem uma responsabilidade parƟ lhada rela-  setembro 2018].
              Ɵ vamente aos migrantes que solicitam proteção internacional.   2  Neste arƟ go adota-se a mesma caracterização da FRONTEX, das principais rotas
              Após intensas negociações foi acordada uma quota de 160.000   migratórias: Mediterrâneo Ocidental, Central, Oriental e Balcãs Oriental.
              pessoas. No entanto, o processo de distribuição dessa população   3  EC, 2018. Knowledge Centre on MigraƟ on and Demography – Dynamic Data Hub.
              pelos diferentes Estados Membros tem sido lento e os números   Disponível em:  <hƩ ps://bluehub.jrc.ec.europa.eu/migraƟ on/app/index.html> [Ace-
              estão muito aquém dos acordados.                      dido em 24 setembro 2018].
               A CE defi niu quatro pilares de ação, a longo prazo, para a gestão   4  Non-refoulement – o princípio da não devolução é central à lei de asilo e refu-
              das migrações:                                        giados e baseia-se no impedimento da devolução de um indivíduo a um território
                                                                    onde a sua vida ou liberdade corram perigo (Note on the Principle of Non-Refoule-
               •  redução de incenƟ vos à imigração irregular, com ajudas à coo-  ment do United NaƟ ons High Commissioner for Refugees, 1997).
                 peração e assistência humanitária aos países de origem;   5  EC, 2018. Knowledge Centre on MigraƟ on and Demography – Dynamic Data Hub.
               •  gestão de fronteiras, através do reforço das fronteiras exter-  Disponível em: <hƩ ps://bluehub.jrc.ec.europa.eu/migraƟ on/app/index.html> [Ace-
                 nas e a sua externalização;                        dido em 24 setembro 2018]
               •  desenvolvimento e consolidação de uma políƟ ca comum de   6  Operação militar de combate à pirataria maríƟ ma.
                 asilo, através da revisão da Convenção de Dublin, e também   7  EC, 2018. Knowledge Centre on MigraƟ on and Demography – Dynamic Data Hub.
                 pela implementação de um novo sistema de monitorização e   Disponível em: <hƩ ps://bluehub.jrc.ec.europa.eu/migraƟ on/app/index.html> [Ace-
                                                                    dido em 24 setembro 2018]
                 avaliação dos procedimentos de asilo;


              14   JULHO 2019
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