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REVISTA DA ARMADA | 542











































              da crescente externalização das políƟ cas de controlo fronteiriço,   Central. No entanto, contrariamente à operação Mare Nostrum,
              para além da fronteira İ sica, transformando os países de origem   a operação Triton não possuía um caráter de busca e salvamento
              em zonas-tampão; e o processo de “virtualização”, através do qual   per se, embora cumprisse a lei maríƟ ma internacional para prestar
              os Estados criam e produzem migração irregular, considerando   assistência a pessoas em perigo no mar. Este caráter híbrido da
              que são responsáveis por defi nir os requisitos para a imigração   missão foi muito criƟ cado, pois não evitou a perda de vidas huma-
              legal. Este processo triplo é desenvolvido através de um conjunto   nas no mar, culminando com a morte de mais de 700 pessoas em
              de estratégias que cada vez mais se realizam fora das fronteiras, no   19 de abril de 2015. Em fevereiro de 2018 esta missão foi subs-
              âmbito de uma abordagem trans-regional, baseada num diálogo   Ɵ tuída pela operação Themis, com uma menor área operacional
              bilateral, regional e inter-regional.               atribuída e um mandato com “foco reforçado no cumprimento da
               Existe um crescente debate relaƟ vamente aos aspetos legais,   lei”, incluindo, fi nalmente, a busca e salvamento como uma tarefa.
              políƟ cos e humanitários associados à gestão de fronteiras, con-  Após 2015, a EU reforçou a sua presença com uma operação mili-
              siderando não só as possíveis implicações na segurança interna   tar, a Operação Sophia – EUNAVFOR MED, no âmbito da PolíƟ ca
              dos Estados Membros, mas também na segurança humana dos   Comum de Segurança e Defesa, tendo como objeƟ vo primário a
              migrantes. A UE afi rma que só através do reforço das suas frontei-  disrupção das redes que facilitam a migração irregular e o tráfi co
              ras poderá garanƟ r a segurança interna, tendo adotado até à data,   de seres humanos.
              esta estratégia para enfrentar as ameaças transnacionais, parƟ cu-  Em qualquer dos casos, estas missões cumprem dois princípios
              larmente a migração irregular.                      básicos da lei internacional: a assistência a pessoas em perigo no
               A UE tem vindo a reforçar signifi caƟ vamente a sua presença no   mar e o princípio da não devolução . Os Estados têm o dever de
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              Mediterrâneo, através da condução de operações de controlo   oferecer assistência aos migrantes, idenƟ fi car os possíveis casos
              de fronteiras. Após a criação da FRONTEX em 2004, esta aƟ ngiu   de proteção internacional e preparar os processos de devolução,
              a capacidade operacional completa em 2005 e iniciou a primeira   assegurando que estes indivíduos recebem um tratamento digno
              operação no Mediterrâneo em 2006. Desde essa data, tem vindo   no regresso aos países de trânsito ou de origem, tendo por base o
              conƟ nuamente a operar no Mediterrâneo, melhorando a sua   princípio da não devolução.
              capacidade de intervenção, relançando diversas operações com
              objeƟ vos alargados, sendo refl exo disso também a alteração de     RESPOSTA EUROPEIA AOS DESAFIOS DOS
              nome de European Agency for the Management Of OperaƟ onal
              CooperaƟ on at the External Borders para  European Border and   FLUXOS MIGRATÓRIOS
              Coast Guard Agency.                                   A crescente pressão migratória na EU, desde meados de 2014,
               Em outubro de 2014, iniciou-se uma nova operação da FRON-  que conduziu à atual crise, levou ao desenvolvimento de uma
              TEX, Triton, coincidindo com o fi m da missão italiana Mare Nos-  estratégia com o objeƟ vo de gerir as migrações em todas as suas
              trum, que Ɵ nha o duplo objeƟ vo de salvaguardar a vida humana   dimensões. Em maio de 2015 a Comissão Europeia (CE) adotou
              no mar e levar à jusƟ ça trafi cantes humanos e contrabandistas   a Agenda Europeia de Migração, a qual, através de uma aborda-
              de migrantes. A operação Triton fundiu as operações Hermes e   gem holísƟ ca, combinando políƟ cas internas e externas, procurou
              Aeneas, que desde 2007 e 2011 (respeƟ vamente) prestaram assis-  desenvolver a responsabilidade parƟ lhada entre os Estados Mem-
              tência a Itália, concentrando a sua aƟ vidade no Mediterrâneo   bros e os países de origem e de trânsito.


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