Page 9 - Revista da Armada
P. 9
REVISTA DA ARMADA | 526
até alcançar águas líbias, o submarino detetara vários contactos sub- Headquarters Allied Mari me Command (HQ MARCOM) da NATO,
marinos, unidades de superİ cie militar NATO e não NATO, embar- em apoio associado. Aproveitando o facto de se encontrar a operar no
cações rápidas (possivelmente associadas a aƟ vidades ilícitas), mediterrâneo, consegue também contribuir para o cumprimento das
emissões radar dos sistemas de controlo costeiro e possíveis comu- tarefas defi nidas por esta organização, que passam pela manutenção
nicações costeiras. de um Mari me Situa onal Awareness (MSA), pelo combate ao ter-
Um dos objeƟ vos da operação Sophia passa por monitorizar o rorismo e, consequentemente, pela garanƟ a da segurança maríƟ ma
comportamento e recolher o máximo de informações possíveis dos no mediterrâneo.
contactos de interesse, exisƟ ndo uma lista de navios idenƟ fi cados De volta à área de operações da Operação Sophia, foram defi nidas
pelas suas aƟ vidades suspeitas, relacionadas com o tráfi co de pes- novas áreas de interesse tentando obter um conjunto de informações
soas, armas ou petróleo. Antes de entrar na área de operações, o diferenciado. As tarefas, essas manƟ veram-se as mesmas, mudando
NRP Arpão teve a oportunidade de se cruzar com dois contactos de apenas a localização dos pontos de interesse, tendo assim o subma-
interesse tendo recolhido informações nas mais diferentes áreas rino através das suas roƟ nas e do ritmo de batalha já cimentado, con-
3
(ELINT, ACINT e IMINT ), bem como a análise dos respeƟ vos com- seguido proceder à recolha de informações de interesse ao longo da
portamentos. costa líbia, tais como a idenƟ fi cação de um sistema de vigilância cos-
Após o trânsito previsto, ocorre fi nalmente a entrada na área de teira, diversas antenas de comunicações, movimentos portuários nos
operações. Pela frente, o apoio associado (Associated Support ) à principais portos e o respeƟ vo Pa ern of Life destas áreas líbias.
4
EUNAVFOR MED e a consequente execução das tarefas atribuídas Concluídos 38 dias de apoio associado à EUNAVFOR MED, e após um
ao submarino, enquadradas na sua missão. Estas tarefas, de forma PHOTEX com algumas das unidades que integravam a força, entre as
genérica, passavam pela recolha de informações (operações ISR ), quais, a fragata alemã Mecklenburg-Vorpommern, o patrulha inglês
5
nas diversas áreas de interesse, focadas na deteção de aƟ vidades Echo e o respeƟ vo navio- chefe, o reabastecedor Cantabria, o NRP
relacionadas com o tráfi co de pessoas e respeƟ vos trafi cantes, e Arpão rumava mais a oeste, iniciando o trânsito de regresso a Lisboa.
outras aƟ vidades de interesse para o cumprimento do mandato Para além de uma paragem prevista no já conhecido porto de Carta-
daquela força da EU. gena, pelo caminho o submarino conƟ nuava a sua missão através do
O suporte ao submarino na área de operações foi feito através do apoio à Operação Sea Guardian, monitorizando e reportando todos
submarine specialist (ofi cial submarinista português) pertencente ao os contactos que detetava, obtendo um robusto MSA do mediterrâ-
staff embarcado no navio-chefe da força, o reabastecedor espanhol neo e recolhendo informações nas diversas esferas da INTEL, alimen-
ESPS Cantabria, e pelo Estado-Maior do CTG 443.10. Através do sis- tando o HQ MARCOM e cumprindo com as tarefas atribuídas por este.
tema SATCOM e do respeƟ vo uso das redes de informação seguras, Um segundo trânsito ao longo das costas tunisinas, argelinas e mar-
tanto nacional como a da própria missão, foi possível ao submarino roquinas permiƟ ra confi rmar dados recolhidos anteriormente, bem
à cota periscópica, receber as informações INTEL e as intenções mais como a oportunidade de novas deteções e interceções.
recentes, assim como relatar os dados recolhidos. Volvidos mais de 23 dias consecuƟ vos em imersão, em patrulha per-
Na primeira patrulha efetuada, através dos seus modernos e evo- manente, eis que se alcança terra fi rme novamente. A paragem em
luídos sistemas e sensores de recolha de informação, foi possível Cartagena permiƟ u a visita aos estaleiros da empresa Navan a, local
construir um Pa ern of Life, efetuar a análise de pontos prováveis de onde estão a ser construídos os novos submarinos espanhóis e a res-
largada de migrantes, realizar operações ISR a zonas petrolíferas, inter- peƟ va troca de conhecimentos e experiências submarinistas com ele-
cetar emissões radar e comunicações e efetuar o reconhecimento mentos da Marinha espanhola que visitaram o submarino português.
costeiro, numa área defi nida ao largo da costa norte africana. Lisboa parecia estar mesmo ali ao lado, no entanto, pelo meio
Após 25 dias de missão, Taranto «à vista». Após feita superİ cie e encontrava-se mais uma passagem pelo STROG, novamente à cota
autorizado o uso de telemóvel, as primeiras chamadas são para, fi nal- periscópica, onde desta feita, fora detetado um elevado tráfego de
mente, matar as saudades dos familiares. A paragem neste porto teve navegação mercante e alguns contactos de interesse.
por objeƟ vo o embarque de reagentes, combusơ veis e manƟ mentos, A 30 de novembro de 2017, após terem fi cado para trás 61 dias de
bem como o descanso da guarnição e do seu submarino, recuperando missão, fi nalmente a aproximação ao porto de Lisboa e com ela a
assim energias para mais uma patrulha intensa que se avizinhava. aguardada voz «ar a todos, superİ cie». Ao navegar no rio Tejo, o sen-
O porto de Taranto, novidade para os submarinos da classe Tri- Ɵ mento geral é de missão cumprida, fi cando na memória os momen-
dente, proporcionou-se como um porto logísƟ co capaz, tanto pelas tos mais marcantes, durante aproximadamente 1200 horas de nave-
capacidades da Marinha Italiana no apoio aos submarinos portugue- gação, das quais mais de 1000 horas passadas em imersão, perto de
ses como na receƟ vidade demonstrada pelos submarinistas italianos 2000 contactos detetados e inúmeros dados de interesse recolhidos.
através do desenvolvimento de diversas aƟ vidades que permiƟ ram a Com os pés do comandante no cais 6 norte da Base Naval de Lis-
troca de experiências entre Marinhas. boa termina a missão do NRP Arpão, tendo este submarino sido os
Com uma primeira patrulha efetuada e momentos antes de largar olhos onde a vista não alcança, no mar mediterrâneo, um mar de
do porto de Taranto, o NRP Arpão recebe mais uma missão para adi- operações.
cionar à que já decorria, parƟ cipação na Operação Sea Guardian, do
Colaboração do COMANDO DO NRP ARPÃO
Notas
1 Área, geralmente móvel, atribuída a um submarino.
2 Submarine No ce – mensagem de roteamento de submarinos para efeitos de PMI
(Preven on of Mutual Interference).
3 Guerra eletrónica, acúsƟ ca e imagem de alta defi nição e de infra-vermelhos.
4 Nível de comando e controlo em que a unidade apoia um determinado comando
na execução de determinadas tarefas, não alterando, no entanto, a enƟ dade que
detém o seu controlo operacional.
Mais concretamente conduzir operações ISR (Intelligence, Surveillance and Recon-
5
naissance) .
FEVEREIRO 2018 9