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REVISTA DA ARMADA | 545


              RELÓGIOS DE SOL NA








                                                                                    INTRODUÇÃO
                                                                                       á cerca de 25 anos, o saudoso Coman-
                                                                                    Hdante Estácio dos Reis convidou-me
                                                                                    para pertencer a um Grupo de Amigos dos
                                                                                    Relógios de Sol, por si fundado, cujo prin-
                                                                                    cipal objeƟ vo seria o estudo e catalogação
                                                                                    destes indicadores do tempo, existentes no
                                                                                    nosso país.
                                                                                     Do convívio daí resultante, as trocas de
                                                                                    ideias e ações concretas  Ɵ veram  conse-
                                                                                    quências, tendo crescido o interesse pelo
                                                                                    assunto em todos os membros do grupo.
                                                                                     Em mim, parƟ cularmente, surgiu a von-
                                                                                    tade de contribuir para um melhor conhe-
                                                                                    cimento dos relógios de sol e do seu
                                                                                    princípio de funcionamento, através da
                                                                                    construção de alguns desses maravilhosos
                                                                                    instrumentos, que nos fazem parar, acal-
                                                                                    mar e pensar.
                                                                                     Tendo-me a Revista da Armada dado a
                                                                                    honra de me convidar para apresentar aos
                                                                                    seus leitores esta temáƟ ca, ligada à medição
                                                                                    do tempo, tão fundamental para a nossa
                                                                                    vida de mar, considerei que seria úƟ l que
                                                                                    o mesmo fosse explicado de maneira algo
                                                                                    especulaƟ va, de modo a eventualmente os
                                                                                    moƟ var para melhor compreenderem e se
              Escola Portuguesa de Moçambique – Maputo   Escola de Tecnologias Navais – Alfeite  interessarem por estes fascinantes, e apa-
                                                                                    rentemente misteriosos, objetos.

                                                                                    UM POUCO DE HISTÓRIA
                                                                                     A necessidade de medição do tempo tem
                                                                                    sido constante na história da humanidade,
                                                                                    e cedo se recorreu ao regular movimento
                                                                                    dos astros para medir esse tempo. O Sol
                                                                                    foi intuiƟ vamente considerado o mais
                                                                                    adequado, sendo a sua sombra projetada
                                             .
                                                                                    numa superİ cie plana (ou curva) um dos
                                                                                    primeiros indicadores do tempo.
                                                                                     O método mais divulgado inicialmente
                                                                                    para efetuar determinadas observações
                                                                                    astronómicas, foi através de uma estaca
                                                                                    verƟ cal cravada no solo, que passou a ter a
                                                                                    designação de gnómon (palavra grega que
                                                                                    signifi ca “indicador”), cuja sombra variava
                                                                                    o seu comprimento de acordo com a varia-
                                                                                    ção da altura do sol.
                                                                                     Foi este simples instrumento usado pelos
                                                                                    diferentes povos também para medir o
                                                                                    tempo pelo comprimento da sombra e não
                                                                                    a sua direção. Por exemplo, para combinar
                                                                                    um encontro, dava-se como referência um
                                                                                    determinado valor desse comprimento,
              Relógio armilar situado no Hotel Pine Cliff s – Algarve. Basicamente um relógio equatorial, onde o nodo do
              gnómon é um ori  cio que produz a sombra (indicado pela seta na fi gura), que é projetada para um setor de   sendo naturalmente necessário ajustar se o
              cilindro, onde estão inscritas as linhas horárias e as curvas (neste caso semi-círculos) de declinação.  mesmo correspondia à manhã ou à tarde.


              18   NOVEMBRO 2019
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