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REVISTA DA ARMADA | 545
Z Z Diem (aproveita o dia, ou não desperdi-
ces o tempo), tendo nós escolhido para
Polo Norte Polo Norte
o da Administração Central de Marinha,
Omnes Aequalis, Sola Virtute Discrepants
(Os Homens São Todos Iguais, Só A Virtude
W 45º W 45º
VI Gnómon Os DisƟ ngue) (ver Figura 8, parte inferior
V
V VI V VII VII Gnómon
VIII VI VIII IX
S VIII N S X XI N do mostrador).
VII
VII IX VII VIII IX XII I
VI X VI III X II
V XI VII V VI V IV XI
IV XII IV
III II I III II I XII
E E
Horizonte
RELÓGIOS DE SOL
Equador NA MARINHA
Unidade
Q. Bacalhoa de Apoio
A fi m de dar um breve exemplo de outros
De equatorial para horizontal
N N Ɵ pos de relógios de sol, que se baseiam,
naturalmente, nos mesmos princípios dos
Fig. 7. Princípio geométrico do relógio horizontal idênƟ co ao equatrorial, bastando colocar o quadrante no plano
do horizonte e o gnómon no eixo norte-sul. Inserto, à esquerda, o relógio equatorial da Quinta da Bacalhoa e à que acima referi, vejam-se imagens de reló-
direita o horizontal da Unidade de Apoio. gios por mim desenhados, instalados em
para o relógio instalado na Administra- organismos da Marinha e noutros locais.
ção Central da Marinha produziram um A leitura do Caderno de Encargos já refe-
mostrador como se vê na Figura 8. rido, a dos excelentes estudos de René R.
Esta imagem foi incluída no Caderno J. Rohr e de Newton e Margareth Mayall
de Encargos que fi zemos em 1988 para acima citados, e ainda a do excelente tra-
o relógio que neste momento se encon- balho (Relógios de Sol) de Nuno Crato,
tra junto ao mastro erigido na Unidade Susana MeƩ elo de Nápoles e Fernando
de Apoio . Correia de Oliveira, serão muito úteis para
1
Como se pode observar, as linhas quem deseje melhor compreender este
horárias correspondentes às horas ver- fascinante tema.
dadeiras, não estão agora separadas Seria também muito interessante que os
regulamente, mas sim afastadas entre si leitores nos informassem da existência de
de ângulos que foram calculados trigo- relógios de sol noutros estabelecimentos
nometricamente, tendo em conta a laƟ - de Marinha, não só em Portugal e ilhas,
tude do lugar, que na fi gura está inscrita como no anƟ go Ultramar. Isso permi-
na base do gnómon. Note-se também Ɵ rá conhecer a aƟ vidade gnomónica na
que o nodo do mesmo corresponde ao Armada, catalogar os relógios existentes
topo superior da fl or de Lis (imagem em e contribuir para o seu restauro e manu-
baixo, à direita), onde se fez uma incisão tenção.
que produz sombra. Resta-me fazer votos para que não só os
A sombra que esta incisão produz ao relógios de sol existentes sejam preserva-
Fig. 8. In Caderno de Encargos ..., 1986.
longo dia sobre o mostrador vai per- dos, como também novos sejam calcula-
úlƟ ma hora em hora média de Greenwich, correr o mesmo segundo uma hipérbole, dos e instalados, contribuindo-se assim
através da longitude. A hora legal será designada por curva de declinação, que para que, especialmente os mais jovens,
dada pelo fuso correspondente, havendo corresponde a determinado valor dessa desviem os olhares dos seus absorventes
ainda a considerar a hora de Verão no coordenada do Sol. É esta informação que écrans táteis.
nosso caso concreto. possibilita ao relógio dar-nos uma ideia
Vamos então analisar a Figura 7, onde se muito aproximada da data. Malhão Pereira
verifi ca que o relógio horizontal (à direita, Foram desenhadas sete dessas curvas, CMG
na imagem) tem agora o mostrador no sendo três delas as correspondentes ao
plano do horizonte do lugar, mantendo-se, equinócio e aos dois solsơ cios, e as outras
no entanto, o gnómon a apontar para o quatro as da passagem do Sol pelas datas Notas
polo norte celeste. As linhas horárias terão de entrada nos signos do zodíaco, e que 1 As linhas horárias não foram transferidas geome-
que ser calculadas de acordo com a laƟ - equivalem a datas do calendário . Na Figura tricamente, mas sim calculadas através da fórmula
2
tg α = sen ϕ tg P, sendo P o ângulo no polo do Sol,
tude do lugar, e os cálculos que efetuámos 9, extraída do Caderno de Encargos já refe- ϕ a laƟ tude e α o ângulo que essas linhas fazem
rido, ilustra-se o método com a linha do meio dia verdadeiro (projeções do
ângulo no polo do Sol). Todos estes assuntos pode-
para determinar os pon- rão ser aprofundados em, por exemplo, René R. J.
tos da linha do meio-dia Rohr, Les Cadrans Solaires, Paris, Gauthier-Villars,
113º 27’ 1965. Ver também R. Newton Mayall, Margareth W.
150 m/m 23º 27’ 23º 27’ onde as curvas de decli- Mayall, Sundials, Cambridge, Massachussets, 1973.
nação cortam essa linha
Como se sabe, devido à precessão dos equinócios,
2
nos dias dos solsơ cios e as datas já não correspondem às do passado.
Gnómon de Junho Solesticio Equinócio 3 O referido caderno de encargos tem uma sucinta,
Solestício de Dezembro
do equinócio. 3
38º 42’ 27º 51’ mas relaƟ vamente completa, descrição do relógio
Horizonte Será interessante acen- instalado na parada da Administração Central de
tuar que, nos relógios Marinha e do seu princípio de cálculo, conceção
(x milímetros / sen (113º 27’) = 150 milímetros / sen (27º 51’) estéƟ ca e implantação. Poderá pedir-se ao autor
de sol, é habitual ins- (madrugadaiv@gmail.com) o referido Caderno
Fig. 9. Princípio da determinação dos pontos das curvas de declinação, na crever-se uma máxima de Encargos. Ver também, no mesmo documento
linha do meio-dia. No caso da fi gura, do ponto correspondente ao solsơ cio (Anexo III), o gráfi co da equação do tempo, no qual
de dezembro. Para o desenho das curvas, que será feito por rebaƟ mentos, laƟ na, sendo muito vul- já está introduzida a correção para a longitude.
sugere-se a leitura da obra de René Rohr referida na Nota 1 (pps. 127-129). gar a expressão Carpe
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