Page 20 - Revista da Armada
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REVISTA DA ARMADA | 545

              mais vulgares relógios de sol “modernos”,   altura (ou o comprimento do gnómon)
              que estão instalados um pouco por todos   deverá ser escolhida de acordo com as      D N  J  F
                                                                                                     O  M
              os locais habitados do mundo, atraves-  dimensões que pretendemos dar ao                S  A A  M
              sando todas as culturas, sendo admirados   quadrante.                                     J  J
              e apreciados pelo seu valor simbólico e   A fi gura exemplifi ca o processo geo-
              histórico.                         métrico de calcular o raio do círculo
               Para se compreender o princípio de um   referido (que se compreenderá facil-
              relógio de sol “moderno”, bastará imaginar   mente), que passaremos a designar
              que em qualquer lugar da terra, por exem-  por  curva de declinação. Essa curva
              plo a 45° de laƟ tude norte, dispomos de um   está desenhada no mostrador (Fig. 4).   Fig. 3. Relógio de sol portáƟ l egípcio do séc. IV a.C. Com
              disco de material sólido, graduado, a parƟ r   Nestas condições, a sombra do nodo   o instrumento orientado na direção do Sol, a hora do dia,
                                                                                 aproximada, era dada pela interseção dessa sombra com
              do centro, com 24 raios equidistantes.  do gnómon produzirá um círculo, que   a coluna correspondente ao mês, sendo o dia interpolado.
               Atravessemos esse disco no mesmo cen-  corresponderá à data do solsơ cio  de
              tro, com uma haste rígida que lhe é per-  junho.
              pendicular. A Figura 4 mostra esquema-  Quaisquer outras datas poderão ser
              Ɵ camente uma das faces do disco, a sua   assinaladas, como por exemplo as datas
              graduação e a haste (que lhe é perpendi-  de entrada do sol nos signos do zodíaco,   curva de declinação de 20 de Agosto
              cular), no centro.                 ou a data comemoraƟ va de determi-
               Se orientarmos esse disco de modo a que   nado evento. Não se poderá evidente-  V                 VII
              a haste aponte o polo celeste norte (neste   mente saturar o mostrador com dema-               solstício de Junho
              caso o nosso polo elevado), que está 45°   siados grafi smos.         VI            A    gnómon      VI
              acima do horizonte, o plano do disco fi cará                           VII                          V
              no plano do equador celeste, admiƟ ndo   OUTROS TIPOS DE RELÓGIOS                  B
              que não são de considerar, por desprezí-                               VIII                       IV
              veis, as questões de paralaxe.     DE SOL                                 IX                   III
               Nestas condições, e admiƟ ndo que o sol,   Muitos outros  Ɵ pos de relógios de   X  C      II
              no seu movimento anual, está a norte do   sol se poderão calcular, desenhar e   XI  XII  I
              equador (tem declinação norte), a sombra   instalar, tendo em conta as possíveis
              da haste (que passaremos a designar por   posições do mostrador e respeƟ vo   Fig. 4. Desenho da face norte de um quadrante de um
              gnómon), percorrerá, sempre que haja   gnómon, relaƟ vamente à direção N-S e   relógio de sol equatorial, tendo inseridas duas curvas de
                                                                                 declinação, obƟ das grafi camente. Ver Figura 6.
              sol, a face iluminada do disco (a que está,   ao horizonte.
              neste caso, virada para norte), à razão de   Os relógios de mostrador horizontal    Z
              15° por hora. Ver Figura 5, onde se repre-  e verƟ cal são os mais vulgares, mas,   p.m.s.
              senta a esfera celeste para um lugar de 45°   dependendo da orientação do local   p.m.s.      Polo Norte
              de laƟ tude norte. Representámos também   de implantação, outros relógios serão
              na  fi gura, sobre dois círculos horários, o   possíveis. O relógio equatorial, que
              movimento do sol quando tem declina-  acabámos de analisar, além de ter              W       45º
              ção zero (sol a azul), e quando tem a sua   outras interessantes variantes, que     V  VI  Gnomon
              máxima declinação Norte (23° 27´, sol a   mais abaixo serão referidas, tem a   S  Plano do horizonte  VII  VII  VIII  IX  N
                                                                                                  V VI  IV Quadrante X XII  XI
              vermelho), e assinalámos as posições do   importante caracterísƟ ca de, a parƟ r   nasc.  E  III  II  I  nasc.
              seu nascimento (nasc.) e passagem meri-  dele e do seu princípio geométrico,           Plano do equador
              diana superior (p.m.s.).           podermos desenhar instrumentos de
               Nestas condições, com o sol a norte do   outro  Ɵ po. Analisaremos com mais
              equador (de 21 de março a 23 de setem-  detalhe só um deles, o relógio horizon-  Polo Sul
              bro), a face superior é sempre iluminada   tal, sendo que a conceção de todos os
              e o gnómon produz sombra, sempre que   outros obedecerá aos mesmos prin-           N
              haja sol.                          cípios. Muitos deles, no entanto, são   Fig. 5. Diagrama esquemáƟ co da esfera celeste no meri-
                Quando o Sol se encontra a sul do equa-  bastante mais complicados.  diano de um lugar de 45° N, e mostrador de relógio de
              dor, é a face inferior do quadrante (que   Antes de analisar como se obtém um   sol equatorial.
              passaremos a designar por mostrador) que   relógio de quadrante horizontal, con-
              é iluminada, podendo a mesma ser uƟ li-  virá, muito brevemente, referir que,
              zada desde que nela seja produzida uma   sendo a velocidade com que o sol per-  20 de Agosto
              graduação, que, no entanto, deverá ter um   corre a sua órbita, variável, devido à   12º 32’
              senƟ do inverso.                   inclinação do eixo da terra e à natureza     23º 27’
                                                                                               Solestício de Junho
               Além da hora, o relógio equatorial tam-  elíƟ ca da mesma órbita, a hora que o
              bém pode dar uma ideia aproximada da   astro-rei nos dá (hora verdadeira) terá
              data. De facto, o extremo norte do gnómon   que ser corrigida, visto não ser uni-  Mostrador  N
              (que passaremos a designar por  nodo),   forme. Além disso, há que obter a hora    A
              produz ao longo do dia uma sombra que   que está atualmente defi nida por acor-           Plano do Equador celeste
              desenha uma fi gura geométrica no mostra-  dos internacionais (hora legal).             B
              dor, que no caso deste Ɵ po de relógio de   Assim, para obter a hora legal, ter-  45º
              sol é uma circunferência. O raio dessa cir-  -se-á de converter a hora verdadeira do       C
              cunferência depende da altura a que está   lugar em hora média do lugar através   Fig. 6. Cálculo gráfi co do desenho de duas curvas de decli-
              o nodo do quadrante (Fig. 6), pelo que esta   da equação do tempo e converter esta   nação de um relógio de sol equatorial.


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